Enquanto o PS e o PSD trocam acusações sobre o Hospital de Beja, há um terceiro partido a dizer que os dois falharam. O LIVRE Alentejo considera inaceitável que a ampliação do Hospital José Joaquim Fernandes continue refém do jogo de culpas entre socialistas e sociais-democratas.
Segundo o partido, PS e PSD governaram o país nos últimos oito anos, os dois prometeram a obra e nenhum a fez. Oito anos depois de a Assembleia da República a ter recomendado, diz o LIVRE, não há concurso lançado, não há financiamento para construir e não há data para começar. A reação surge depois de os deputados eleitos por Beja, Pedro do Carmo, do PS, e Gonçalo Valente, do PSD, voltarem a trocar acusações em declarações à Rádio Pax. “O Baixo Alentejo não precisa de saber de quem é a culpa: precisa do hospital”, afirma o partido.
O LIVRE lembra que o hospital tem espaços exíguos e pavilhões pré-fabricados espalhados pelo terreno, e que a própria ULSBA reconheceu, em 2024, que o edifício não cumpre praticamente nenhuma das orientações técnicas do Ministério da Saúde. A obra foi então estimada em cento e dezoito milhões de euros, com início previsto para o segundo semestre de 2026, prazo que já não vai ser cumprido.
Aos socialistas, o partido acusa de terem ignorado durante mais de cinco anos a recomendação do Parlamento, de 2018, e de só em dezembro de 2023 terem mandado estudar a ampliação, sem aprovar obra, lançar concursos nem garantir um euro. Recorda ainda que o PS se absteve quando, no Orçamento do Estado para 2025, foi votado o compromisso de cento e dezoito milhões de euros.
Ao PSD e ao Governo, o LIVRE responde que vivem de anúncios. Lembra que, em abril de 2025, foi publicado um despacho para lançar os concursos, e que, em novembro, a ministra da Saúde garantiu que o concurso abria no início de 2026. Nada aconteceu. A proposta de Orçamento para 2026 deixou o hospital de fora, e em junho o Governo admitiu no Parlamento que ainda procurava dinheiro para pagar o projeto. Agora, diz o partido, Gonçalo Valente reconhece que em 2027 não haverá obras e remete o financiamento para o Orçamento de 2028.
O que está decidido, sublinha o LIVRE, paga apenas o projeto: um máximo de quatro milhões e meio de euros, menos de cinco por cento do investimento. A ULSBA tem as peças do concurso aprovadas e o júri nomeado, mas o concurso continua por lançar. O partido calcula que a obra dificilmente comece antes de 2029.
O LIVRE exige quatro coisas. O lançamento do concurso do projeto ainda este ano, com a data de conclusão tornada pública. A aprovação imediata da programação do investimento até ao fim da obra, com as fontes de financiamento identificadas, sem esperar pelo Orçamento de 2028. O lançamento do concurso da obra logo que o projeto seja aprovado. E um calendário público, com prestação regular de contas ao Parlamento e à população.
“Os alentejanos merecem um hospital, não mais promessas”, conclui o partido.