A crise política na freguesia de Senhora da Graça dos Padrões, no concelho de Almodôvar, ganhou um novo capítulo. Depois das renúncias que deixaram a Assembleia de Freguesia sem condições de funcionamento, um entendimento entre o presidente da Junta, eleito pelo movimento independente Unidos Pela Freguesia, e o Partido Socialista afastou o cenário de eleições intercalares. O PSD de Almodôvar contesta a solução e defende que os fregueses deveriam ter sido novamente chamados às urnas.
Nas autárquicas de 2025, o movimento independente UPF venceu a freguesia com 119 votos e elegeu quatro membros. O Partido Socialista conseguiu 72 votos e três eleitos. A vitória e a composição da Assembleia estão confirmadas pelos resultados eleitorais publicados.
O problema surgiu no final de agosto. Uma sucessão de renúncias entre eleitos e suplentes do movimento independente levou à perda de quórum e abriu uma crise institucional. Na altura, a realização de eleições intercalares chegou a ser apontada como solução para devolver o funcionamento normal aos órgãos da freguesia.
Entretanto, esse caminho foi afastado. O presidente da Junta, Gabriel Guerreiro, revelou ter alcançado um entendimento com o PS que permitiu recompor os órgãos autárquicos e garantir a continuidade do funcionamento da Junta.
É precisamente aqui que começa a contestação social-democrata.
O PSD de Almodôvar diz congratular-se com o fim do impasse, mas considera que a solução política encontrada não corresponde à escolha feita pelos eleitores em 2025. Para os sociais-democratas, perante a dimensão das renúncias, a resposta deveria ter passado por novas eleições e pela devolução da decisão aos fregueses.
A polémica ultrapassa, contudo, as fronteiras da freguesia. Segundo declarações públicas de Gabriel Guerreiro, o entendimento prevê também um alinhamento do seu sentido de voto com o PS na Assembleia Municipal de Almodôvar. De acordo com as contas divulgadas pela Rádio Castrense, esta nova configuração coloca 12 elementos alinhados com o PS perante 11 do PSD naquele órgão municipal.
O PSD interpreta este desfecho como uma manobra partidária destinada a alterar a correlação de forças na Assembleia Municipal e acusa o PS de se aproveitar da crise política. Essa é, porém, uma acusação e interpretação política dos sociais-democratas, não um facto estabelecido de forma independente.
A estrutura do PSD de Almodôvar deixa, por isso, uma mensagem ao novo executivo: que governe para a freguesia e coloque os interesses da população acima dos entendimentos partidários.