Olival e amendoal continuam a dominar no perímetro de rega de Alqueva

Olival e amendoal continuam a dominar no perímetro de rega de Alqueva

O olival e o amendoal mantêm-se como as culturas dominantes nos 130.000 hectares já regados pelo Alqueva, considerado um dos maiores projetos de regadio da Europa, é revelado no anuário agrícola de 2024 do empreendimento alentejano.

Segundo o Anuário Agrícola de Alqueva 2024, divulgado recentemente pela EDIA, empresa gestora do projeto, e consultado pela agência Lusa, a área de olival aumentou de 71.045 para 74.059 hectares (ha), comparando 2023 com o ano passado.

Já a de amendoal, também uma das culturas dominantes na área irrigada pelo empreendimento, sofreu uma estagnação/ligeira diminuição, já que passou de 23.859 para 23.653 ha, entre 2023 e 2024, pode ler-se no anuário disponibilizado pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA).

De acordo com o documento, este “fenómeno” resulta dos “preços verificados no mercado mundial do azeite e das amêndoas”, em que existe “uma menor atração por este sistema cultural face a anos anteriores” e que leva a uma substituição de culturas.

Em 2024, 83% da área de regadio do Alqueva era ocupada por culturas permanentes, como o olival, e 17% por culturas anuais, como o milho, o trigo duro, as hortícolas e as leguminosas.

Assim, quanto às culturas permanentes, registou-se um “aumento significativo” de cerca de 2.450 ha, enquanto as culturas anuais tiveram uma diminuição de “cerca de 6%”, atingindo no ano passado aproximadamente 1.106 ha.

“Embora o olival seja a cultura mais representativa e reconhecida na região, consolidando o Alentejo como um dos principais produtores de azeite a nível mundial, o perímetro de rega de Alqueva tem vindo a diversificar-se com sucesso”, realçou a EDIA.

As condições de solo e clima “favorecem a produção de outras culturas permanentes, como o amendoal, a vinha e outros frutos secos, bem como a introdução de fruticultura intensiva, nomeadamente citrinos, romãzeiras e outros”, indicou.

No anuário, é destacada também a introdução de uma “nova tipologia de cultura anual” em resposta às exigências da Política Agrícola Comum (PAC), as culturas intercalares.

Este novo modelo consiste na produção de plantas entre duas culturas principais, envolvendo a utilização de leguminosas, gramíneas ou outras que servem de cobertura para evitar a erosão dos solos e reduzir o uso de fertilizantes sintéticos.

Em 2024, foram inscritos 350 ha destas culturas intercalares na área do Empreendimento Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), o que, para a EDIA, demonstra “o interesse dos agricultores na prática sustentável” e “a modernização do setor agrícola em Portugal”.

“O perímetro de rega de Alqueva constitui, assim, um exemplo de sucesso na modernização da agricultura no Alentejo, integrando inovação tecnológica, diversificação de culturas e sustentabilidade ambiental”, argumentou.

Um ligeiro aumento (9%) da área ocupada por cereais (exceto o milho), impulsionado principalmente pelo cultivo da cevada (1.738 ha), é apontado no documento, enquanto as áreas de vinha reduziram aproximadamente 370 ha (de 5.987 para 5.621 ha, entre 2023 e 2024).

Estes valores podem ser justificados pelas “alterações nas dinâmicas de mercado ou a preferência por culturas mais rentáveis”, como o olival e o amendoal, pode ler-se.

No que se refere à evolução do número de lagares, os dados de 2023 revelam um aumento na área de Alqueva, mas um decréscimo a nível regional.

“Na região do Alentejo, registou-se um decréscimo de 16%, consequência do encerramento de alguns lagares tradicionais”, adiantou o anuário, precisando que, nesse ano, funcionavam 97 lagares no Alentejo e 61 na zona do Alqueva.

Estes dados, segundo a EDIA, são consequência da modernização, inovação e sustentabilidade do setor, assim como da aposta “desta região na produção de azeite”.

A 1.ª fase do EFMA, com cerca de 120.000 ha de regadio, foi concluída em 2017. A 2.ª fase, em curso, prevê a expansão da área de regadio em mais 35.000 ha, dos quais cerca de 10.000 já se encontram em exploração.

Rádio Pax/ Lusa

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