FNAM: fusão de Delegações Regionais de Saúde vai prejudicar o sul do país

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) alerta que a intenção do Governo em reduzir de cinco para três Delegações Regionais de Saúde, fundindo o Alentejo e Algarve à região de Lisboa e Vale do Tejo vai agravar, ainda, mais as desigualdades no sul do país.

Em comunicado a FNAM, afirma que o Ministério da Saúde (…) apesar de estar em gestão, tenta avançar com uma reorganização do mapa da Saúde Pública que viola a lei e prejudica a população por limitar o acesso a cuidados de saúde”.

A mesma fonte considera que “a ideia de fundir duas regiões com a já deficitária região de Lisboa e Vale do Tejo que conta com, apenas, um quarto dos médicos de Saúde Pública, vai agravar ainda mais as desigualdades no sul do país”.

A proposta da tutela em reduzir de cinco (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve) para três Delegações Regionais de Saúde (Norte, Centro, Sul) é um atentado grave à organização descentralizada da prestação de cuidados de saúde em Portugal”, diz Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM.

A responsável acrescenta que se trata de “uma afronta às populações do Alentejo e do Algarve e aos médicos de Saúde Pública, que pressupõe a existência de um Delegado de Saúde Regional, com funções de Autoridade de Saúde”.

“Esta tentativa de fusão (…) numa “Delegação Regional do Sul”, conjuntamente com a região de Lisboa e Vale do Tejo, viola a lei, pois desconsidera as especificidades de duas regiões que necessitam de autonomia para responderem eficazmente às suas realidades”, afirma Joana Bordalo e Sá.

Nesse sentido, alerta que a medida irá acentuar “as desigualdades na prestação de serviços de saúde, perpetuando a falta de acesso a cuidados adequados e limitando a capacidade de uma resposta próxima às populações locais”.

“O Alentejo e o Algarve não podem continuar a ser tratados como meras extensões da capital, nem como simples destinos de verão, que apenas importam quando a população flutuante aumenta”, sublinha a responsável.

A FNAM “exige que se respeite a Lei e o Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS), através da manutenção das Delegações Regionais de Saúde, para garantir que Alentejo e Algarve mantêm as suas estruturas próprias e que as decisões sobre a Saúde Pública sejam tomadas por quem, realmente, conhece as necessidades locais”.

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