O calendário autárquico deste ano indica praticamente 90 dias para os eleitores exercerem o seu direito/dever na escolha dos seus candidatos, uma eternidade.
Em Beja, as principais forças políticas já apresentaram os seus Líderes aos diversos órgãos autárquicos: Câmara, Assembleia e Assembleias de Freguesias.
Ao longo das próximas semanas, muitas serão as ações, apresentações, infomails ou debates, para ajudar o Eleitor na sua escolha ou preferência.
A festa da democracia tem data marcada para 12 de outubro.
No concelho de Beja, pela primeira vez em 50 anos, as Direitas e os seus partidos acreditam convictamente que podem ganhar a autarquia, capital da Região.
Assim, os protagonistas e as propostas das direitas ganham aqui maior interesse para os eleitores mais habituados a ouvirem os partidos identificados com a esquerda.
Novidade, sem dúvida. Interessante, certamente.
Pessoalmente, não sei se por estratégia ou por convicção pura, não consigo entender porque as ideias apresentadas pelas Direitas, todas elas, nos remetem para uma cidade e uma região saudosamente vividas nos anos 80 e 90.
Em Beja, as Direitas e os seus partidos, apenas falam, valorizam e apresentam Recordações.
Tenho lembranças, quiçá sonhos ou desejos, da minha avó paterna estar sentada numa pequena cadeira, à beira do lume, a coar o café que despertava a madrugada. Tal imagem, conjunto de cores e odores, acompanha-me há mais de 58 anos, podendo jurar aos quatro cantos que a “minha avó fazia o melhor café do mundo”.
Como não valorizar a agitação das Portas de Mértola, das montras da Loja Barros ou da esplanada do Luis da Rocha, esquecendo que apenas valorizamos as sensações prazerosas, numa combinação intrincada de instintos, emoções, cognição e influência externa que molda a nossa perceção de valor. Não colocamos na “Balança do Valor” a evolução natural dos anos, os transportes facilitados que nos permitem ir rapidamente para outras cidades, o advir dos pagamentos eletrónicos, das compras on-line, mas sobretudo dos cartões de crédito.
A avaliação que fazemos das diversas situações, comércio local, maior número de pessoas a passearem por Beja, as tardes de touradas e feiras, todas e apenas sensações que se transformam em recordações, obviamente prazerosas.
A entoação mais prolongada na pronúncia do nome da cidade e do concelho, o Beeeeejaaaaa, que alguns candidatos das direitas utilizam com orgulho, está profundamente ligada às nossas emoções.
Valorizamos aquilo que nos traz alegria, conforto, amor, orgulho ou paz. Um objeto pode ter pouco valor monetário, mas ser inestimável para alguém por causa das memórias e sentimentos que ele evoca, não passando, no entanto, a valer mais.
Os valores, as emoções e as boas sensações que os Líderes das direitas em Beeejaaa têm aportado ao debate político, não são projetos de desenvolvimento, apenas trazem as doces e suaves recordações do “melhor café do mundo da minha avó”.