A Associação Ambiental Amigos das Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, denuncia que a aldeia continua diariamente exposta a episódios de poluição atmosférica intensa, apesar do processo-crime apresentado pela população em 2018 ter sido recentemente arquivado pelo Ministério Público, por falta de indícios considerados suficientes para seguir para julgamento.
Segundo a associação, a situação agravou-se nos últimos meses, após a instalação de uma nova chaminé de baixa altura, que voltou a libertar emissões poluentes com impacto direto sobre a localidade. Em setembro, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo respondeu às queixas afirmando que o controlo ambiental não é da sua competência e encaminhou o caso para a CCDR Alentejo, deixando, na prática, a população sem entidade que assuma responsabilidade direta pela sua proteção.
Os moradores garantem que, desde 2018, têm sido registados centenas de episódios de mau cheiro persistente, partículas visíveis no ar, dificuldades respiratórias e deposição de resíduos sobre casas e espaços exteriores. A associação admite estar hoje com capacidade muito reduzida, devido à falta de voluntários, e fala numa luta “desigual”, agravada pelo peso económico do setor industrial envolvido.
Para a população das Fortes, o arquivamento do processo representa “mais um episódio de ausência de resposta” das entidades oficiais, enquanto a poluição continua sem solução à vista. A Associação Ambiental Amigos das Fortes alerta que esta é uma situação de saúde pública que exige uma intervenção urgente, clara e eficaz.