A Volta ao Alentejo em Bicicleta pode estar em risco devido ao grave conflito entre a Podium Events e a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), que evoluiu para o terreno judicial e está a lançar dúvidas sobre a continuidade da prova em 2026.
A Podium Events anunciou ter avançado com uma providência cautelar para travar a decisão da FPC de cessar, de forma unilateral, o contrato de concessão da Volta a Portugal, válido até 2026. A empresa alerta que esta disputa poderá ter repercussões diretas na organização de outras competições sob a sua responsabilidade, incluindo a Volta ao Alentejo e a Volta a Portugal do Futuro.
Num comunicado de tom firme, a Podium afirma que, “ainda que a contragosto”, foi obrigada a recorrer aos tribunais, garantindo que continuará a defender “a legalidade, a transparência e o património desportivo nacional”, construído ao longo de 25 anos de atividade.
Além da providência cautelar, a empresa avançou igualmente com uma ação judicial para exigir o cumprimento integral do contrato e a cobrança de alegadas verbas em atraso relativas a 2020 e 2021, anos profundamente afetados pela pandemia. A Podium acusa a FPC de nunca ter realizado o acerto de contas, apesar das solicitações realizadas “em reunião e por escrito”.
A empresa manifesta ainda esperança de poder continuar a organizar a Volta em 2026, defendendo “um contrato de exploração justo e equilibrado”, que concilie os interesses das várias partes.
O conflito intensificou-se depois de, a 10 de novembro, a FPC anunciar oficialmente o fim antecipado da concessão da Volta a Portugal, alegando “incumprimento reiterado” das obrigações contratuais por parte da Podium. No dia seguinte, a empresa respondeu acusando a Federação de “falta de decoro e lealdade”, afirmando ter sido informada da decisão através de patrocinadores.
Entretanto, a FPC anunciou já uma nova parceria estratégica com a Emesports, empresa internacional liderada por Ezequiel Mosquera, que assumirá a organização da 52.ª Volta ao Algarve, 87.ª Volta a Portugal e também da 43.ª Volta ao Alentejo.
Com este clima de tensão e decisões paralelas, a continuidade da Volta ao Alentejo permanece envolta em incerteza, enquanto o setor do ciclismo aguarda desfecho dos processos judiciais e eventuais negociações futuras.