O Alentejo figura entre as regiões atingidas por um dos anos mais severos de incêndios rurais das últimas décadas. Até 30 de novembro, Portugal registou cerca de 270 mil hectares ardidos, em mais de oito mil ocorrências, o que coloca este ano como o quarto pior desde 2001 em termos de área consumida pelo fogo, segundo o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Dados da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais indicam que, apesar de o número de incêndios ter ficado abaixo da média histórica, a dimensão das áreas ardidas foi particularmente elevada. No total, ocorreram 44 grandes incêndios, cinco deles no Alentejo, responsáveis por uma parte significativa da área queimada. Entre os casos mais relevantes na região destacam-se o incêndio de Sabóia, no concelho de Odemira, a 18 de agosto, que destruiu 988 hectares, e o fogo que deflagrou em Aljustrel, a 12 de julho, consumindo 205 hectares.
Embora as regiões Norte e Centro tenham sido as mais afetadas, os números confirmam que os grandes incêndios continuam a ter um impacto expressivo no Alentejo, sobretudo em áreas classificadas de risco elevado. A maior parte da área ardida corresponde a matos, pastagens e zonas florestais.
Em 2025, os incêndios provocaram quatro mortes, destruíram habitações e geraram críticas à resposta e à coordenação no combate às chamas. Perante este cenário, o Governo apresentou o plano “Floresta 2050”, e o parlamento aprovou a criação de uma comissão técnica independente para analisar os incêndios registados durante o último verão.