Inspetores da PJ contam no Tribunal de Beja busca a casa de imigrantes “sem condições”

Inspetores da PJ contam no Tribunal de Beja busca a casa de imigrantes “sem condições”

Inspetores da Polícia Judiciária relataram hoje no Tribunal de Beja que efetuaram vigilâncias a deslocações de imigrantes no âmbito da Operação Espelho e fizeram uma busca a uma casa de trabalhadores em Serpa sem condições de habitabilidade.

Na segunda sessão do julgamento de 22 pessoas e 12 empresas por alegada exploração de trabalhadores imigrantes no Alentejo, que começou esta manhã e foi retomada no período da tarde, foram ouvidas as primeiras testemunhas do processo.

Pelo menos dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ) disseram que, no âmbito da Operação Espelho, que culminou com a atuação daquela polícia em novembro de 2023, participaram em diligências prévias de vigilância.

A verificação dos roteiros de transporte de trabalhadores, das horas de partida e chegada às casas onde ficavam alojados, as viaturas em que eram transportados e quem as conduzia foram alguns dos fatores que os inspetores observaram.

Cuba, Faro do Alentejo, localidade daquele concelho, e Serpa foram algumas das povoações alvo das vigilâncias, relataram.

Ambos participaram, já depois da Operação Espelho, mas no âmbito do mesmo inquérito, meses depois, numa busca a uma residência de trabalhadores estrangeiros em Serpa, em que referiram ter encontrado 10 a 12 imigrantes.

“Tinham chegado há pouco tempo ao Alentejo” e, pelo que os moradores relataram, “até havia mais gente a viver na casa, mas não estava lá, já tinha saído para o trabalho”, afiançou um dos inspetores, corroborado pelo colega: “Quando chegámos, havia camas que já não estavam ocupadas e o que nos disseram é que já tinham saído para os campos”.

A casa apresentava “más condições” e todas as divisões, com exceção da cozinha e das duas casas de banho, estavam “adaptadas a quartos”, com “colchões no chão, beliches, azulejos partidos, janelas com vidros partidos”, disse um dos elementos da PJ.

“Isolamento não havia, a casa estava muito suja, com condições abaixo do mínimo aceitável”, frisou.

O colega apresentou cenário idêntico, falando numa casa “com colchões no chão, não muito asseada, casas de banho bastante sujas”.

Já da parte da manhã, tinham sido ouvidos dois militares da GNR do Posto Territorial de Cuba que descreveram que, antes da operação da PJ, quando os imigrantes viviam na vila, duas vítimas foram despejadas da casa onde viviam.

Um dos militares disse ainda que havia imigrantes a viver em condições desumanas e precárias e que alguns até apareceram no posto da GNR a queixarem-se com fome e a pedir comida, tendo a Guarda identificado depois a casa onde moravam como estando sobrelotada e com condições miseráveis.

Um imigrante senegalês ouvido pelo coletivo de juízes alegou, por sua vez, que recebia 35 euros se trabalhasse oito horas por dia, mas, se não trabalhasse, por exemplo devido às más condições climatéricas, não recebia nada. Ao final do mês, alegou que o seu ordenado rondava os 500 euros.

Neste processo, cujo julgamento começou esta segunda-feira, quase todos os arguidos singulares respondem por 16 crimes de tráfico de pessoas – um deles está pronunciado por 19 -, um de associação criminosa, um de auxílio à imigração ilegal, outro de associação de auxílio à imigração ilegal e um de branqueamento de capitais.

Alguns estão ainda acusados do crime de falsificação de documento ou de detenção de arma proibida, pode ler-se no despacho de acusação, em que o Ministério Público alega que os factos remontam a data não concretamente apurada, mas anterior a 01 de janeiro de 2020, quando os arguidos construíram uma rede para a entrada de imigrantes ilegais em Portugal, vindos sobretudo da Roménia, Moldova, Ucrânia, Índia, Senegal, Nepal, Timor-Leste e Paquistão, e para a sua utilização como mão-de-obra quase forçada e a baixo custo.

Rádio Pax/Lusa

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Farmácia de serviço hoje na cidade de Beja

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