O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) afirmou, em Beja, que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é “globalmente positivo” para a agricultura portuguesa, rejeitando que o tema seja usado para disputas políticas ou eleitorais.
Em conferência de imprensa após uma reunião com a Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, Álvaro Mendonça e Moura frisou que a CAP está focada na defesa dos agricultores, recusando qualquer tentativa de instrumentalização da organização. O dirigente sublinhou que são os produtores “que ficam no terreno todos os dias” a lidar com as dificuldades do setor.
Segundo a CAP, o acordo apresenta mais vantagens do que desvantagens, com benefícios claros para áreas como o vinho, azeite, frutas e queijos, embora existam riscos para o setor das carnes. Ainda assim, Mendonça e Moura considera que esses impactos poderão ser mitigados através de cláusulas de salvaguarda previstas no acordo.
O presidente da CAP reconheceu, no entanto, que existe uma forte insatisfação no setor agrícola, apontando críticas à Comissão Europeia, que, segundo afirmou, tem demonstrado pouca atenção às preocupações dos agricultores. Apesar disso, destacou a importância do diálogo e anunciou que a CAP vai promover sessões de esclarecimento em todo o país, tanto sobre o acordo UE-Mercosul como sobre a reforma da Política Agrícola Comum, que considera ainda mais preocupante.
Também o presidente da FAABA, Rui Garrido, salientou que os agricultores ficaram mais informados após a reunião e admitiu que o acordo poderá ser vantajoso para Portugal, embora traga desafios.
O acordo UE-Mercosul, já aprovado pelo Conselho da União Europeia, deverá ser assinado este sábado no Paraguai e permitirá aumentar as exportações europeias para a América do Sul, ao mesmo tempo que facilita a entrada de produtos agrícolas daquele mercado na União Europeia.