O Alentejo continua com a falta de professores nas escolas, um problema que já está a afetar todo o país. Os dados são da Missão Escola Pública, que faz um balanço preocupante do primeiro período do ano letivo.
Segundo um inquérito a diretores de 222 escolas e agrupamentos, a maioria dos estabelecimentos de ensino teve horários sem professor durante mais de uma semana, e 41% enfrentaram a situação por pelo menos um mês. Um em cada três diretores admite mesmo que houve disciplinas sem professor durante todo o primeiro período.
No Alentejo, 28,6% dos agrupamentos reportaram dificuldades em encontrar docentes, um valor inferior ao Algarve, onde o problema atinge metade das escolas. O estudo mostra que a falta de professores alastra-se a todo o território, com o fenómeno a ser registado também no Norte, Centro e Área Metropolitana de Lisboa.
As maiores carências verificam-se no 1.º ciclo, na Educação Especial, em Português, Informática e Inglês, obrigando muitas escolas a recorrer a horas extraordinárias, solução adotada por mais de 60% dos diretores. No entanto, esta medida está a provocar desgaste nos docentes, com mais de 80% dos agrupamentos a terem professores a trabalhar além do horário normal.
No caso do 1.º ciclo, a situação é ainda mais delicada, com alunos a serem distribuídos por outras turmas ou acompanhados por técnicos sem habilitação para avaliar, o que pode colocar em risco a progressão escolar.
Apesar do Ministério da Educação garantir que existem mecanismos para evitar alunos sem aulas, a Missão Escola Pública alerta para consequências graves a médio e longo prazo, sublinhando que a falta de professores é hoje um problema estrutural do sistema educativo português.