Os utentes do lar da Misericórdia de Mértola, no distrito de Beja, estão hoje de regresso à instituição, depois de terem sido retirados do local, em 04 de fevereiro, devido à subida da água do Rio Guadiana.
Em declarações à agência Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mértola (SCMM), José Alberto Rosa, confirmou que os utentes começaram a ser transportados desde o lar de São Miguel do Pinheiro, onde estavam alojados, para a vila alentejana hoje de manhã, numa operação que deve estar concluída “perto da hora de almoço”.
“Esta tarde já devemos ter todo o pessoal aqui”, afirmou.
Segundo o dirigente, estão de regresso ao lar 71 dos 72 utentes retirados na noite de 04 de fevereiro, continuando o outro em casa de familiares.
O transporte dos utentes desde São Miguel do Pinheiro para Mértola está a ser assegurado pelo autocarro da instituição no caso dos utentes “mais ativos” e “com mais mobilidade”, explicou José Alberto Rosa.
“Os outros vão vir em carrinhas adaptadas e os bombeiros também vão buscar as duas ou três pessoas que têm de ser transportadas em maca”, acrescentou o provedor.
Os utentes da SCMM estiveram uma semana no lar de São Miguel Pinheiro, inaugurado no ano passado, mas que ainda não tinha entrado em funcionamento, o que causou alguns constrangimentos logísticos na atividade da instituição.
“A comida era confecionada em Mértola, a roupa também era lavada aqui e tínhamos de andar para trás e para a frente com o pessoal. Isto criava uma situação logística muito delicada e complicada, que não podia também prolongar-se por muito tempo, porque as pessoas já estavam exaustas”, reconheceu o provedor.
A par dos utentes do lar, também os beneficiários do centro de dia estão hoje de regresso às instalações da SCMM, na Achada de São Sebastião, junto às margens do Guadiana.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Rádio Pax / Lusa