“Também sou agricultor, mas não é só da agricultura que vivemos.” É desta forma que Filipe Cameirinha Ramos, agricultor e participante na prova Todo-o-Terreno que começou ontem em Beja, reage à posição da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA), que contesta a realização da Esc Online|Baja Montes Alentejanos.
Em nota enviada à Rádio Pax, a AABA manifesta “indignação” com o evento organizado pelo Clube de Promoção de Karting e Automobilismo, considerando que a prova vai colocar em causa infraestruturas agrícolas, acessos e o normal funcionamento de várias explorações do concelho de Beja.
A associação recorda que os agricultores enfrentaram recentemente dois meses e meio de condições meteorológicas adversas, com chuvas intensas e ventos fortes que provocaram danos em caminhos rurais, vedações, culturas e explorações pecuárias. No entender da AABA, a passagem da prova, ao longo de mais de 180 quilómetros, poderá agravar ainda mais esses estragos.
A direção critica ainda o facto de, alegadamente, nem todos os proprietários terem sido informados e alerta que os seguros não cobrem reparações de caminhos ou estradas rurais.
Já Filipe Cameirinha Ramos defende que eventos desta dimensão trazem impacto económico à região, enchendo hotéis e restaurantes e promovendo o território. Considera que a manutenção dos caminhos deve ser reivindicada “pelas vias certas”, classificando a tomada de posição pública da associação como “no mínimo, falta de bom senso”.
A controvérsia intensifica-se neste segundo dia de prova, com os motores a continuarem a ecoar na região de Beja.