O Alentejo pode ser uma das regiões mais afetadas pela proposta de reforma da Política Agrícola Comum para o período 2028-2034, que prevê um corte de cerca de 20% nas verbas destinadas à agricultura, apesar de o orçamento global da União Europeia aumentar 40%.
O alerta é deixado pelo presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, que considera a proposta da Comissão Europeia desajustada e prejudicial para o setor agrícola europeu.
Atualmente, o orçamento ronda os 400 mil milhões de euros, mas a nova proposta aponta para 297 mil milhões, uma redução considerada significativa para os agricultores portugueses, numa altura de grande instabilidade internacional.
A CAP espera que o Governo português intervenha nas negociações para repor, pelo menos, os valores atualmente em vigor, defendendo uma posição firme junto das instituições europeias.
Em cima da mesa estiveram também as oportunidades do acordo com o Mercosul, apontadas como especialmente vantajosas para os países do sul da Europa, incluindo Portugal, onde existe forte procura por produtos agroalimentares nacionais.
Entre as preocupações discutidas com agricultores de várias regiões está ainda a obrigatoriedade de instalação de contadores de água em pequenas explorações, uma medida que poderá ter impacto em zonas de minifúndio.
A negociação da futura PAC promete assim meses intensos, com o Alentejo atento às decisões que poderão influenciar diretamente o rendimento e a sustentabilidade do setor agrícola regional.