O Alentejo está entre as regiões mais afetadas pelo aumento da mortalidade infantil e materna registado em 2024, num cenário que poderá agravar-se já nos próximos anos.
O alerta parte do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, que aponta a falta de profissionais de saúde como um dos principais fatores para esta situação, sobretudo em regiões com maiores carências, como o sul do país.
Os dados mais recentes indicam uma subida da mortalidade fetal, que passou de 325 casos em 2022 para 346 em 2024. Também a mortalidade infantil voltou a aumentar, atingindo 257 óbitos no último ano, depois de uma ligeira descida em 2023.
Entre as causas apontadas estão o encerramento de serviços de ginecologia e obstetrícia, o aumento de partos realizados fora de ambiente hospitalar, nomeadamente em ambulâncias, e as dificuldades no acesso a cuidados de saúde primários e pediátricos.
As maiores dificuldades concentram-se nas unidades de saúde da região sul, incluindo o Alentejo, onde se registam constrangimentos no acesso a consultas, falta de médicos de família e limitações no funcionamento das maternidades.
O cenário levanta preocupações quanto à capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, numa altura em que se antevê um possível agravamento dos indicadores já em 2025 e 2026, caso não sejam tomadas medidas para reforçar os recursos humanos e garantir o funcionamento dos serviços essenciais.
A situação evidencia desigualdades no acesso aos cuidados de saúde em diferentes regiões do país, com impacto direto na segurança de mães e crianças.