O Alentejo apresenta o tempo médio mais baixo de internamentos sociais no país, com cerca de 32 dias, mas o problema continua a agravar-se a nível nacional, com milhares de doentes a permanecerem nos hospitais após alta clínica.
Segundo o mais recente Barómetro dos Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), em março estavam 2.807 pessoas internadas sem necessidade clínica, mais 19% do que no mesmo mês de 2025. Estes casos representam já 13,9% das camas ocupadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O estudo revela que os internamentos inapropriados custam ao Estado cerca de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que na edição anterior, totalizando quase 440 mil dias de internamento sem justificação médica.
Apesar de o Alentejo registar tempos médios mais reduzidos, o Norte e Lisboa e Vale do Tejo concentram 85% destes casos, com permanências médias que podem chegar aos 239 dias.
A principal causa continua a ser a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados, responsável por 45% das situações, agravando a pressão sobre os hospitais.
O presidente da APAH, Xavier Barreto, alerta que “os internamentos sociais continuam a pressionar de forma considerável a capacidade de resposta do SNS”, defendendo o reforço de soluções fora do meio hospitalar, como cuidados continuados, apoio domiciliário e maior apoio aos cuidadores.
O barómetro conclui que aumentar a capacidade das respostas sociais e de saúde é essencial para libertar camas hospitalares e garantir um acompanhamento mais adequado aos doentes.