O Baixo e Alto Alentejo estão entre as regiões mais expostas aos impactos das alterações climáticas na saúde, com o calor extremo a agravar a mortalidade e a aumentar o risco de doenças, segundo o relatório Countdown Europe 2026, publicado pela revista The Lancet.
O estudo revela que, nas últimas décadas, a mortalidade associada ao calor aumentou em Portugal, sobretudo nas regiões do interior. No caso do Alentejo, os dados apontam ainda para uma elevada adequação ambiental à transmissão de doenças como a dengue, em 2024.
De acordo com o Conselho Português para a Saúde e Ambiente, estes números refletem uma “vulnerabilidade estrutural” das populações do interior, mais envelhecidas, com menor acesso a cuidados de saúde e habitação menos adaptada ao calor.
O relatório alerta também para o aumento generalizado de dias de calor extremo e ondas de calor, com impactos diferenciados entre regiões e grupos etários.
Perante este cenário, os especialistas defendem o reforço dos planos de contingência para o calor, maior vigilância de doenças transmitidas por vetores e medidas urgentes para proteger a saúde pública.
O presidente do Conselho, Luís Campos, avisa que “a janela para uma ação decisiva está a estreitar-se”, sublinhando a necessidade de respostas rápidas face à crescente emergência climática.