Na inauguração da 42.ª edição da Ovibeja, o presidente da ACOS- Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, deixou algumas chamadas de atenção e alertas ao ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. O presidente da ACOS centrou o discurso nos impactos devastadores da doença da Língua Azul no setor pecuário.
Rui Garrido afirmou que a mortalidade nas regiões mais afetadas foi “duas a três vezes superior ao habitual” entre setembro e novembro, sublinhando, no entanto, que ainda mais preocupante foi o elevado número de animais doentes.
O responsável da ACOS destacou ainda as consequências económicas da doença, apontando a quebra abrupta na produção de leite, a mortalidade de borregos, os abortos, os fracos desempenhos zootécnicos dos animais afetados, os custos com tratamentos médico-veterinários e o aumento significativo da mão de obra necessária para acudir aos efetivos.
Segundo Rui Garrido, a situação foi agravada por um inverno rigoroso, que dificultou a alimentação e assistência aos animais, aumentando os prejuízos nas explorações agropecuárias.
O presidente da ACOS criticou ainda a ausência de medidas de apoio aos produtores portugueses, lembrando que, em Espanha, agricultores da Andaluzia e Extremadura receberam ajudas para fazer face aos impactos da doença.
Durante a intervenção, Rui Garrido defendeu também a criação de um verdadeiro seguro de colheitas para agricultura, pecuária e floresta, capaz de cobrir situações de calamidade e intempéries, sugerindo que Portugal siga o modelo já aplicado em Espanha.
O dirigente alertou ainda para os estragos provocados pelo mau tempo no Alentejo, sobretudo em pastagens, forragens e cereais de outono e inverno, com áreas totalmente perdidas devido ao alagamento e outras onde nem sequer foi possível realizar sementeiras.
Na sua intervenção, o ministro da Agricultura anunciou que foi aberto, na semana passada, um aviso destinado a produtores com prejuízos superiores a 400 mil euros, integrado num instrumento financeiro de 20 milhões de euros.
José Manuel Fernandes garantiu que o Governo está a avaliar as candidaturas e reforçou a importância das vistorias para assegurar que os apoios correspondem aos prejuízos reais.
Sobre os seguros agrícolas, o ministro revelou que Portugal propôs à União Europeia um projeto-piloto europeu de seguros agrícolas, iniciativa que recebeu acolhimento no Conselho de Ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia.
O governante destacou ainda investimentos previstos no âmbito do PRR, incluindo barragens, charcas e albufeiras, lembrando que a água é uma das prioridades estratégicas do Governo.
Na área da sanidade animal, José Manuel Fernandes defendeu mais investimento em vacinas eficazes, acessíveis e disponíveis para os agricultores, alertando que problemas de sanidade animal podem transformar-se, no futuro, em questões de saúde pública.