O distrito de Beja destaca-se pela positiva na execução do Plano de Recuperação e Resiliência, surgindo como o único território do Alentejo acima da média nacional. Ainda assim, a realidade está longe de ser uniforme: seis concelhos do distrito continuam com menos de metade dos fundos contratados efetivamente pagos, quando falta menos de um mês para o prazo decisivo definido pela Comissão Europeia.
Os dados da estrutura de missão Recuperar Portugal, reportados a 29 de julho, revelam que o distrito de Beja apresenta uma taxa global de execução financeira de 67,9%, superior aos 63% registados a nível nacional e muito acima das taxas verificadas nos distritos vizinhos de Évora e Portalegre.
Apesar deste desempenho global, persistem diferenças significativas entre concelhos. Castro Verde, Ourique, Alvito, Serpa, Moura e Barrancos continuam abaixo dos 50% de execução financeira, evidenciando um ritmo de pagamentos inferior ao esperado.
No sentido inverso, há também exemplos de forte capacidade de concretização. Aljustrel figura entre os concelhos com melhor desempenho do Alentejo, apresentando uma taxa de execução de 81,9%, enquanto Vidigueira, com 78,5%, e Ferreira do Alentejo, com 77,9%, também surgem entre os municípios mais avançados da região.
No conjunto do distrito, foram contratados cerca de 240 milhões de euros para projetos apoiados pelo PRR, dos quais 163 milhões já foram pagos, permanecendo ainda aproximadamente 29 milhões de euros por transferir para os beneficiários.
Na região alentejana, a situação revela-se mais preocupante. Dos 47 concelhos, 23 ainda não atingiram os 50% de execução financeira, e cerca de 70% apresentam resultados inferiores à média nacional, demonstrando que muitos investimentos continuam dependentes da validação e pagamento das despesas realizadas.
Importa, contudo, sublinhar que a execução financeira não traduz, por si só, o estado real das obras e investimentos. O modelo do PRR prevê que os pagamentos só sejam efetuados após a validação dos marcos e metas cumpridos, o que significa que vários projetos podem estar fisicamente adiantados sem que o respetivo financiamento tenha sido ainda libertado.
Com o calendário europeu a aproximar-se da fase decisiva, os próximos dias serão determinantes para acelerar os processos administrativos e garantir que os investimentos previstos chegam ao terreno, permitindo ao distrito de Beja consolidar a posição de destaque que atualmente ocupa no Alentejo.