O Baixo Alentejo está a viver uma reviravolta demográfica que poucos antecipavam. As novas estimativas do Instituto Nacional de Estatística revelam um salto populacional que está a despertar atenções dentro e fora da região: mais de 10 mil novos residentes em apenas quatro anos, um crescimento que contraria décadas de perda contínua de habitantes.
O Baixo Alentejo está a ganhar novos contornos demográficos. As estimativas oficiais para 2025 apontam para 125.767 residentes, um aumento expressivo face aos números registados após os Censos de 2021. A subida, que ultrapassa os 9%, está a ser descrita como uma das recuperações populacionais mais rápidas do país.
Segundo o INE, esta evolução resulta sobretudo da chegada de população estrangeira, que tem escolhido a região para trabalhar e viver. A nova metodologia de cálculo, baseada exclusivamente em dados administrativos como registos fiscais e contributivos, permitiu uma leitura mais fina e atualizada da realidade local.
Beja continua a ser o motor demográfico da sub‑região, concentrando mais de 39 mil habitantes, enquanto Barrancos permanece como o concelho menos populoso, com pouco mais de 1.400 residentes. Serpa, Moura, Ferreira do Alentejo e Aljustrel mantêm-se como polos intermédios, cada um com valores entre os 9 e os 14 mil habitantes.
Os números agora divulgados obrigaram também à revisão das estimativas entre 2021 e 2024, garantindo que toda a série estatística fica alinhada com a nova metodologia. Esta atualização é considerada crucial para o Plano Local de Saúde do Baixo Alentejo 2030, que depende de dados rigorosos para planear respostas e investimentos na área da saúde.
Com o crescimento populacional a ganhar força, autarquias e entidades regionais preparam-se para ajustar estratégias, desde a habitação ao emprego, passando pelos serviços públicos. O Baixo Alentejo, tantas vezes associado ao despovoamento, parece estar a escrever uma nova página.