Os Bombeiros Voluntários de Beja enfrentam uma pressão crescente sobre as contas da associação. O aumento dos combustíveis, aliado aos custos com pessoal, manutenção e funcionamento das viaturas, está a tornar mais cara uma atividade que não pode parar e que funciona 24 horas por dia.
À Rádio Pax, Rodeia Machado, presidente da Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja, revela números que mostram o peso dos combustíveis no orçamento. Em 2025, a associação gastou cerca de 76 mil euros durante todo o ano. Em 2026, só até ao final de julho, a fatura já rondava os 50 mil euros.
A dimensão da frota e a intensidade da atividade ajudam a explicar estes valores. Os veículos dos Bombeiros de Beja consomem mensalmente entre quatro e cinco mil litros de combustível, com oscilações consoante a época do ano.
Durante o verão, as viaturas de combate a incêndios assumem um peso particularmente elevado. Mesmo quando estão paradas no local de uma ocorrência, os motores têm de permanecer em funcionamento para alimentar as bombas de água e garantir as necessárias condições de segurança.
Mas não são apenas os incêndios que fazem subir a fatura. As ambulâncias percorrem milhares de quilómetros no transporte de doentes, incluindo deslocações de longa distância para unidades hospitalares de Lisboa.
Rodeia Machado explica que estas viagens ficaram significativamente mais caras. Ao combustível juntam-se os salários e ajudas de custo dos tripulantes, bem como o desgaste e os restantes encargos associados às ambulâncias.
O responsável considera que o valor pago por quilómetro pelo Serviço Nacional de Saúde está longe de acompanhar os custos reais suportados pela associação. A situação será ainda mais problemática nos serviços realizados dentro da cidade e do concelho.
Segundo Rodeia Machado, nestes casos, “na prática estamos a pagar para transportar doentes”.
A associação aguarda também pelas compensações anunciadas pelo Governo para minimizar o impacto da subida dos combustíveis. De acordo com o presidente da Direção, foram apontados apoios na ordem dos 120 euros por ambulância e cerca de 300 euros por viatura pesada, mas essas verbas ainda não chegaram aos Bombeiros de Beja.
Apesar da pressão, Rodeia Machado garante que, para já, as contas da associação permanecem equilibradas, destacando o apoio da Câmara Municipal de Beja e o financiamento proveniente do Orçamento do Estado, através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, embora considere este último insuficiente.
O verdadeiro impacto do aumento dos combustiveis só deverá ser conhecido no final do ano, quando a direção fizer as contas definitivas.
Até lá, permanece uma realidade difícil de contornar: quanto mais quilómetros percorrem os bombeiros para responder às necessidades da população, maior é a pressão financeira sobre uma associação que não pode escolher deixar uma ambulância ou um veículo de socorro parado por causa do preço do combustível.