O LIVRE Alentejo contesta o novo mapa das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis e acusa o Governo de querer concentrar na região uma parte desproporcionada dos grandes projetos solares e eólicos.
Segundo o partido, 34 concelhos alentejanos estão sinalizados no novo modelo, que pretende acelerar os processos de licenciamento. O LIVRE garante apoiar a transição energética, mas rejeita que esta seja feita à custa da ocupação massiva de solos agrícolas e rurais.
Na posição agora divulgada, a estrutura regional fala numa lógica de “zona de sacrifício” e alerta para a possibilidade de quase 27 mil hectares serem destinados a painéis solares e mais de 4.100 hectares à energia eólica.
O partido questiona também os benefícios económicos que estes investimentos deixam no território. Argumenta que as grandes centrais são altamente automatizadas, criam poucos postos de trabalho permanentes e que uma parte significativa dos lucros acaba fora da região.
Entre as preocupações estão ainda os possíveis impactos sobre a agricultura, a biodiversidade, a paisagem e os recursos hídricos, bem como a futura instalação de grandes sistemas de armazenamento de energia através de baterias.
Como alternativa, o LIVRE quer que a prioridade seja colocada nos telhados das casas, edifícios públicos, escolas, centros comerciais, parques de estacionamento e zonas industriais, antes de avançar sobre novos terrenos rurais.
Defende também mais autoconsumo, comunidades de energia renovável e projetos que permitam que uma maior parcela dos benefícios económicos permaneça junto das populações.
Para o LIVRE, o Alentejo deve participar na transição energética, mas não aceita ficar com os painéis e os impactos enquanto a energia e os lucros seguem para fora da região.