Beja está entre as cinco cidades escolhidas pelo Governo para testar no terreno novas formas de enfrentar as ondas de calor e tornar os espaços urbanos mais resistentes às alterações climáticas. A cidade integra os projetos-piloto do PRO NAT.URBE, programa que aposta em mais árvores e zonas verdes, solos mais permeáveis e espaços onde a população possa procurar proteção durante períodos de temperaturas extremas.
O Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas estabelece uma estratégia nacional até 2035. Além de Beja, estão já em curso experiências-piloto em Évora, Vila Real, Guimarães e São João da Madeira.
Uma das novidades é a criação de redes de abrigos climáticos. A ideia passa por identificar ou desenvolver locais acessíveis à população nos dias de calor mais intenso, desde parques e jardins arborizados até praças com sombra e equipamentos públicos.
O programa vai mais longe. Prevê aumentar o coberto arbóreo, recuperar linhas de água, estabelecer corredores ecológicos e retirar superfícies impermeáveis, procurando melhorar a resposta das cidades não apenas às altas temperaturas, mas também a episódios de chuva intensa.
Segundo o Governo, os cinco projetos-piloto deverão funcionar como laboratórios em contexto real. As soluções serão testadas e avaliadas para perceber quais poderão depois ser replicadas noutros municípios portugueses.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, considera que chegou o momento de passar do planeamento para intervenções concretas, defendendo que cidades com mais árvores, áreas verdes e solos permeáveis estarão mais preparadas para fenómenos meteorológicos extremos.
Já o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, aponta o aumento da frequência das ondas de calor como uma das razões para acelerar medidas de proteção da população.
As intervenções realizadas no âmbito do PRO NAT.URBE serão ainda georreferenciadas e disponibilizadas no Portal da Informação Territorial, permitindo acompanhar a execução do programa.