A Câmara de Vidigueira quer dar um novo impulso à candidatura da produção artesanal de vinho de talha a Património Cultural Imaterial da Humanidade, apontando para o final de 2027 como prazo para ter o processo preparado para nova submissão à UNESCO.
O objetivo foi anunciado pelo presidente do município, Ricardo Bonito, que pretende abrir um novo ciclo de valorização desta prática ancestral, fortemente ligada à identidade de Vidigueira e, em particular, de Vila de Frades.
A candidatura começou a ser trabalhada em 2016 e acabou por ser alargada ao Alentejo. Segundo o autarca, o processo não chegou a ser rejeitado, mas foram identificados aspetos que necessitam de aperfeiçoamento.
O trabalho vai agora passar pela recolha e documentação de todo o processo tradicional de produção, desde a vindima e apanha da uva até à vinificação dentro das talhas. A intenção é concluir o novo dossiê em dezembro de 2027.
Para reforçar a candidatura, o município conta com a participação do investigador Paulo Lima, com experiência em processos relacionados com a UNESCO. Já o presidente da Junta de Freguesia de Vila de Frades, Diogo Conqueiro, foi nomeado comissário municipal para o Vinho de Talha, Património e Identidade Territorial, assegurando uma ligação mais próxima aos produtores e adegas.
O relançamento começou a ganhar forma no final de setembro, numa reunião que juntou produtores, associações e técnicos municipais.
Ricardo Bonito defende que o objetivo não passa apenas pela conquista de uma classificação internacional. A prioridade é criar um plano de salvaguarda que permita transmitir às próximas gerações uma tradição de vinificação com raízes milenares.
O vinho de talha já deu, entretanto, um passo importante nesse reconhecimento. Em dezembro de 2023, a sua produção foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Agora, Vidigueira volta a apontar mais longe: levar uma das mais antigas tradições vínicas do Alentejo até ao reconhecimento da UNESCO.