As recentes eleições autárquicas deram uma maioria absoluta ao Partido Socialista em Serpa, depois de 50 anos de hegemonia do Partido Comunista no concelho. Um resultado inequívoco, que traz uma responsabilidade acrescida.
Cinco alternativas políticas entraram nesta disputa eleitoral e o povo escolheu, de forma livre e informada. O veredicto foi claro! O povo quis a Força da Mudança do PS a conduzir os destinos do concelho de Serpa.
Só quem não conhece a realidade de Serpa pode ter ficado surpreendidos com este desfecho, procurando agora arranjar explicações simplistas ou até fulanizadas. Para mim, que vivi todo este processo por dentro, há dois fatores principais que explicam o que aconteceu.
Em primeiro lugar, a governação do município ruiu por dentro. Foram muitos anos a colocar a ideologia à frente das pessoas, a empurrar para o poder central as culpas do que não foi feito, a acumular erros de gestão incompreensíveis, como a não modernização das escolas. Demasiados anos em que se perderam investimentos, em que as juntas de freguesia foram deixadas à sua sorte, em que a transferência de competências foi vista como um fardo, e não como uma oportunidade para melhorar a vida da comunidade. Por tudo isto, as pessoas estavam fartas!
O segundo fator, para mim o mais decisivo, é que o PS apresentou em Serpa uma candidatura muito forte. Soube ouvir e construir um programa eleitoral focado na resolução dos problemas das pessoas. E, principalmente, soube reunir uma equipa competente, corajosa, solidária, composta por militantes, simpatizantes e muitos independentes. Gente de respeito, com provas dadas na sociedade, unidas por um espírito positivo e pelo amor à sua terra. Foram dezenas e dezenas de candidatas e candidatos que saíram da sua zona de conforto, que trouxeram consigo familiares, amigos, vizinhos e conhecidos, e que criaram uma Força da Mudança que se tornou imparável.
O capítulo da disputa eleitoral fechou-se a 12 de outubro de 2025, que ficará para a história como a data em que o pluralismo e a alternância democrática chegaram a Serpa. Agora, abre-se um novo mundo de desafios e de oportunidades, em que ninguém pode ficar para trás. É altura de deitar mãos à obra e de dar um novo rumo ao concelho, aproveitando o seu enorme potencial, valorizando as empresas e os trabalhadores, criando mais oportunidades para os jovens, respeitando a história e o percurso de vida dos mais idosos. Todos têm um papel a desempenhar neste trabalho coletivo, feito com ambição, transparência e sentido de responsabilidade. Juntos, vamos construir uma nova visão de futuro para Serpa.
Ricardo Mestre
Candidato do PS à presidência da Assembleia Municipal de Serpa
Ex-Secretario de Estado da saúde