O episódio ocorrido no passado sábado, em Barrancos, durante um encontro da 2.ª divisão da Associação de Futebol de Beja, não pode, nem deve, ser encarado como mais um incidente isolado do futebol distrital. O que aconteceu ultrapassa a rivalidade própria do jogo e entra no domínio da violência gratuita, com contornos ainda mais graves pelas circunstâncias em que ocorreu.
Um jogador do Barrancos Futebol Clube, Avelino Galvão, de 28 anos, é acusado de ter agredido violentamente o atleta do Louredense, Tomás Amaro, de 23, aos 29 minutos da partida. Segundo testemunhos recolhidos pela Rádio Pax, o soco desferido atingiu o queixo da vítima, provocando um rasgão profundo e hemorragia imediata. Mais grave ainda: há relatos de que a agressão terá continuado quando o jogador já se encontrava no chão.
Infelizmente, episódios de violência no futebol não são novos.
Mas este caso tem uma dimensão adicional que não pode ser ignorada. O alegado agressor é militar da Guarda Nacional Republicana. A GNR é uma instituição cuja missão assenta na autoridade, na ordem pública e na defesa da legalidade. Quando um dos seus elementos é associado a um ato de violência num contexto desportivo, não está apenas em causa a responsabilidade individual, está também em causa a imagem da própria instituição.
A pergunta impõe-se: haverá consequências?
Da parte da Associação de Futebol de Beja, espera-se a abertura célere de um processo disciplinar e a aplicação de sanções exemplares, caso os factos se confirmem. O futebol distrital precisa de sinais claros de que comportamentos violentos não são tolerados.
Da parte da Guarda Nacional Republicana, exige-se igualmente uma posição firme. Um militar da Guarda tem deveres acrescidos de conduta, dentro e fora do serviço. A ausência de reação institucional seria, ela própria, uma mensagem errada.
O futebol regional deve ser espaço de competição saudável, convívio comunitário e formação de valores, não palco de agressões. Quando a violência entra em campo, todos perdem: clubes, adeptos, jovens atletas e a própria credibilidade das instituições.
Este não é apenas um caso disciplinar. É um teste à seriedade com que o desporto distrital e as entidades competentes encaram a responsabilidade e a autoridade. O silêncio ou a inação seriam cúmplices de um problema que se arrasta há demasiado tempo.