O Alentejo surge em destaque no Mapa Nacional de Vulnerabilidades Sociais, apresentado ontem no Porto, que defende a criação de políticas públicas ajustadas às realidades locais. O estudo sublinha que a pobreza e a exclusão social assumem diferentes formas consoante o território.
O trabalho foi desenvolvido pelo Observatório da Rede Europeia Anti-Pobreza – EAPN Portugal e aponta o Alentejo como uma das regiões mais sensíveis à sazonalidade do mercado de trabalho, fortemente dependente da agricultura e do turismo.
Segundo a socióloga Ana Teixeira, uma das autoras do estudo, o mapa permite aceder a dados estatísticos fiáveis a uma escala muito próxima da realidade, ao nível dos concelhos e das freguesias, indo além das análises por distrito ou região.
O objetivo não é criar rankings de vulnerabilidade, mas compreender a dimensão qualitativa dos problemas sociais. Regiões envelhecidas e territórios mais jovens enfrentam desafios diferentes, que exigem respostas específicas.
No caso do Alentejo, o estudo destaca fragilidades associadas ao emprego, ao desemprego prolongado e à maior dependência de prestações sociais por parte de algumas famílias.
A análise aborda ainda a questão da habitação, com especial incidência no arrendamento apoiado, onde o Alentejo surge como uma das regiões mais afetadas. Já ao nível da vulnerabilidade energética, o impacto é mais acentuado no interior Norte e nas regiões insulares.
Para a EAPN Portugal, esta diversidade de realidades confirma a necessidade de políticas diferenciadas, adaptadas às características de cada território.
Em 2026, os investigadores pretendem discutir os resultados diretamente nos territórios, envolvendo autarquias e entidades locais, com o objetivo de construir respostas mais eficazes no combate à pobreza e à exclusão social.