O Alentejo surge entre as regiões do país com maior prevalência de consumo de risco elevado e dependência de álcool, a par da região Centro, segundo dados divulgados pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências.
De acordo com o Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024, apresentados ontem, quarta-feira, na Assembleia da República, um quinto da população portuguesa entre os 15 e os 74 anos consome álcool diariamente ou quase diariamente. Em 2022, 20% dos inquiridos admitiram este padrão regular, sendo o vinho a bebida mais consumida, seguida da cerveja e das bebidas espirituosas.
Os números revelam ainda que 3,1% da população apresentou, nos últimos 12 meses, um consumo de risco elevado ou nocivo e 1,1% sintomas de dependência. Um dado particularmente preocupante: a dependência quase quadruplicou nos últimos dez anos.
Entre os jovens adultos, dos 15 aos 34 anos, 3,6% registaram consumo de risco e 0,4% sinais de dependência. Os comportamentos mais graves continuam a verificar-se sobretudo entre os homens, com maior incidência na faixa dos 25 aos 34 anos.
Apesar de se registar um aumento da abstinência, o ICAD alerta para o início cada vez mais precoce do consumo e para o agravamento dos padrões nocivos desde 2012. No caso específico do Alentejo, os indicadores de risco elevado e dependência colocam a região entre as mais preocupantes do país.
Entre os jovens de 18 anos inquiridos em 2024, 7% afirmaram beber diariamente ou quase diariamente e 48% admitiram episódios de consumo excessivo, o chamado “binge drinking”, no último ano. Também aqui o Alentejo apresenta os comportamentos mais problemáticos.
Num estudo junto de alunos entre os 13 e os 18 anos, 58% disseram já ter experimentado álcool, sendo que cerca de 30% referiram ter iniciado o consumo aos 13 anos ou menos. Mais de 3% admitiram já ter estado embriagados em idades tão precoces.
O relatório aponta ainda fragilidades na fiscalização. Em 2023 foram fiscalizados pouco mais de 10 mil estabelecimentos, menos 16% do que no ano anterior, o valor mais baixo desde 2016. Em 2024 registaram-se apenas 48 contraordenações por venda de álcool a menores em Portugal Continental, o número mais reduzido dos últimos anos.
Apesar das restrições legislativas introduzidas em 2013 e 2015, o ICAD considera que têm existido poucos avanços no reforço das políticas de controlo. Ainda assim, o imposto sobre bebidas alcoólicas rendeu ao Estado 282,5 milhões de euros em 2024.
Os dados agora divulgados traçam um retrato preocupante do consumo de álcool em Portugal e colocam o Alentejo no centro das atenções quando se fala de comportamentos de risco e dependência.