As urgências do Serviço Nacional de Saúde continuam sob forte pressão, e o Alentejo volta a destacar-se entre as regiões com maior procura. A conclusão é da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que analisou quase dois anos e meio de atividade – entre 2022 e junho de 2024 – período em que o país registou quase 16 milhões de atendimentos.
O estudo revela que Portugal apresenta um rácio de utilização das urgências muito superior ao da OCDE. Em 2023, registaram-se 64 episódios por cada 100 habitantes, mais do dobro da média internacional. No Alentejo, esse valor ultrapassa a já elevada média nacional, colocando a região entre as mais pressionadas do país.
A ERS aponta ainda que a maioria das admissões continua a ser feita por iniciativa dos próprios utentes, embora essa tendência esteja a diminuir graças ao programa “Ligue Antes, Salve Vidas”. Em contrapartida, aumentam as situações encaminhadas pela Linha SNS 24, que este ano já representam mais de 11% das entradas.
A triagem mostra que cerca de 85% dos episódios são classificados como “urgentes” ou “pouco urgentes”, enquanto apenas 11% correspondem a casos de maior gravidade. As urgências continuam também a ser usadas como porta de entrada nos hospitais: nos serviços polivalentes, quase um quinto dos doentes triados com pulseira branca — que assinala uso indevido — acaba internado.
O relatório destaca ainda que mais de 95% da população reside a menos de 60 minutos de uma urgência geral, mas continuam a existir constrangimentos relevantes, como tempos de espera prolongados e casos em que foram cobradas indevidamente taxas moderadoras, sobretudo em utentes referenciados pela Linha SNS 24.
No total, a ERS recebeu mais de 56 mil reclamações sobre urgências neste período, centradas sobretudo nos tempos de espera, qualidade dos cuidados e condições de atendimento. Atualmente, o SNS conta com 89 serviços de urgência distribuídos pelo território.