Ricardo Miguel Furtado Pinheiro deverá ser o próximo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, numa escolha que já está a agitar o xadrez político regional. O engenheiro eletrotécnico, que foi deputado do Partido Socialista eleito por Portalegre, é apontado como o nome de consenso para assumir a liderança da CCDR Alentejo.
Com um percurso político de peso, Ricardo Pinheiro foi presidente da Câmara Municipal de Campo Maior durante três mandatos e exerceu funções como secretário de Estado do Planeamento no Governo liderado por António Costa. A sua indicação surge no âmbito de um acordo político entre PS e PSD, avançado pelo jornal Expresso, para a distribuição das presidências das cinco CCDR do país.
Segundo esse entendimento, o PSD ficará com as CCDR do Norte e do Centro, enquanto o PS assegura Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. No Alentejo, a mudança de liderança parece inevitável, numa altura em que, segundo fonte da CCDR Alentejo ouvida pela Rádio Pax, a maioria dos presidentes de câmara “não vê com bons olhos” a continuidade de António Ceia da Silva, atual presidente.
A eleição indireta dos presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional está agendada para o dia 12 de janeiro de 2026, data em que serão igualmente eleitos os vice-presidentes designados pelos municípios. Este processo eleitoral marca o início de um novo ciclo nas CCDR, no seguimento da reforma administrativa promovida pelo Governo liderado por Luís Montenegro, que vem reforçar o papel do poder local na definição das lideranças regionais.
Com o novo modelo, cada CCDR passará a ter um presidente eleito pelos presidentes de câmara, assembleias municipais e juntas de freguesia, bem como dois vice-presidentes eleitos, um pelos autarcas municipais e outro pelos membros do conselho regional.
A estrutura diretiva ficará ainda completa com a nomeação, por parte do Governo, de cinco vice-presidentes responsáveis pelas áreas da Agricultura, Educação, Ambiente, Cultura e Saúde.
Apesar da mudança anunciada, o processo volta a gerar descontentamento no distrito de Beja, que mais uma vez fica fora da possibilidade de assumir a presidência da CCDR, apesar de ser o distrito onde o PS venceu mais câmaras municipais, com nove autarquias, contra seis em Évora e sete em Portalegre. Uma exclusão que promete continuar a alimentar críticas e debate político no Baixo Alentejo.