A Barragem do Monte da Rocha, em Ourique, está completamente cheia e chegou mesmo a realizar descargas de superfície, um cenário impensável há poucos anos, quando apresentava níveis críticos e valores residuais.
O Baixo Alentejo vive agora um momento de viragem histórica no que toca ao armazenamento de água. Depois de anos marcados por seca severa e restrições, as reservas atuais permitem garantir tranquilidade no abastecimento para os próximos dois a três anos.
Também noutras albufeiras do sul do país, como Campilhas, Santa Clara, Bravura e Odeleite, os níveis registam uma recuperação acentuada, invertendo a tendência de escassez prolongada.
A gestão das descargas foi exigente, sobretudo nas bacias do Arade e do Guadiana, devido à precipitação intensa, ao contributo das bacias espanholas e ao degelo nas zonas montanhosas. Ainda assim, a situação é agora considerada estável, com os rios a regressarem gradualmente aos seus leitos naturais.
Portugal entra numa nova fase de monitorização cuidadosa, mas com um dado claro: as reservas de água atingiram níveis raros e devolvem confiança a uma região que, há poucos meses, enfrentava um cenário de forte incerteza hídrica.