A Câmara de Beja, liderada pela Coligação PSD/CDS-PP/IL, decidiu na última reunião cessar o concurso que visava a contratação de duas técnicas superiores de Serviço Social e uma Psicóloga para a Divisão de Desenvolvimento e Inovação Social / Serviço de Ação e Desenvolvimento Social.
A proposta foi votada favoravelmente pela coligação de direita, pelo vereador do Chega e pelos dois vereadores da CDU e teve o voto contra dos dois vereadores PS.
A concelhia de Beja do Bloco de Esquerda (BE) considera esta decisão “estranha” pois, “meio ano antes, na reunião de 23/07/ 2025, a Câmara de Beja tinha deliberado por unanimidade a abertura do concurso agora encerrado”.
O BE questiona o que terá mudado em seis meses, pois Palma Ferro e Vítor Picado tinham votado favoravelmente.
A autarquia pretende delegar competências sociais em IPSS em vez de contratar profissionais, diz o BE que acusa a Câmara de tomar opções ideológicas “neoliberais”.
“Nas autarquias e no poder central, PS e PSD foram esvaziando o Estado das suas funções sociais para abrir novas oportunidades de negócio aos privados, seja na educação, na saúde e também na área social, alimentando o paternalismo em relação às camadas mais pobres de população e confundindo a solidariedade social com caridade”, acrescenta o Bloco.
Além do mais, o município de Beja perdeu, segundo o BE, “uma excelente oportunidade de integrar nos seus quadros três técnicas superiores, contratadas a prazo desde 2023, após a transferência de competências para os municípios”.
A concelhia de Beja do Bloco adianta que “perante uma proposta de teor claramente neoliberal da AD, com o apoio do Chega, estranha-se o voto a favor dos vereadores da CDU, pois têm repetido que o pelouro a tempo inteiro do vereador Vítor Picado não os obriga a votar ao lado da direita”.
“Mas será mesmo assim”, questiona o BE para quem “o voto da CDU a favor do Plano de Atividades e do Orçamento da Câmara de Beja para 2026, ao lado da AD e do Chega, indica que este posicionamento já não é só defeito, é feitio”.