Beja: Filho denuncia que mãe de 96 anos foi retirada do lar e deixada à porta de casa

O filho de uma utente de 96 anos acusa o Lar do Monte, pertencente ao Lar São Barnabé, em Beja, de ter retirado a mãe da instituição e de a ter deixado à porta da sua residência. O caso foi participado ao Ministério Público e à Segurança Social, na sequência de alegadas falhas nos cuidados prestados à idosa.

Uma idosa de 96 anos terá sido retirada do Lar do Monte, pertencente ao Lar São Barnabé, em Beja, depois de o filho denunciar aquilo que considera ter sido uma sucessão de situações graves relacionadas com os cuidados prestados à mãe. O caso já foi participado ao Ministério Público e à Segurança Social.

Em declarações à Rádio Pax, o filho, Alfredo Riscado afirma que tudo começou a 19 de maio, quando se apercebeu de um alegado surto de gripe na instituição.

“Via com muita facilidade as pessoas a tossirem, pessoas com expetoração. Alertei os responsáveis do lar para terem cuidado, porque isso agora vai ser um fogo. A gripe vai propagar-se com muita facilidade.”

Segundo o filho da utente, sugeriu que fossem separados os residentes doentes dos restantes e que fossem utilizadas máscaras por utentes e funcionários. “Foi-me dito que o lar não utilizava nada disso e que eram contra as máscaras”, refere.

Dias depois, conta Alfredo Riscado, a mãe acabou também por adoecer, apresentando febre e tosse persistente.

“A situação arrastou-se ao longo de uma semana. Sempre eu a tentar ver se a coisa melhorava, mas não melhorava. Cada vez estava pior.”

O momento mais preocupante, diz, aconteceu a 26 de maio. Ao chegar para visitar a mãe, foi informado de que esta estava acamada e que não a podia ver.

“Disseram-me que estava bem e que ficasse descansado. Eu respondi que, se estivesse bem, não estava metida na cama. Insisti várias vezes até me deixarem entrar.”

Quando finalmente entrou no quarto, garante que percebeu de imediato a gravidade da situação.

“A minha mãe já quase não falava e via-se que estava muito pálida. Disse logo que queria levá-la ao hospital.”

Segundo relata, após a realização de exames hospitalares, foi diagnosticado uma pneumonia.

“Começou logo com antibióticos, ficou internada para estabilizar e regressou ao lar no dia seguinte com medicação.”

Na sequência do episódio, Alfredo Riscado apresentou uma reclamação no livro de reclamações da instituição.

“Relatei que durante uma semana nada tinha sido feito para melhorar o estado da minha mãe. Até hoje nunca responderam.”

O filho afirma ainda ter entregue cópia da reclamação na Segurança Social, sem que, até ao momento, tenha recebido qualquer resposta.

Entretanto, denuncia que a instituição terá apresentado à mãe, de 96 anos, um documento para assinar.

“Deram à minha mãe uma carta de rescisão para assinar. Ela assinou sem saber o que estava a assinar.”

Segundo Alfredo Riscado, o documento alegaria perda de confiança na utente, acusando-a, juntamente com o filho, de tratar mal funcionárias da instituição.

O caso foi entretanto comunicado ao Ministério Público, estando, segundo o denunciante, também a PSP a acompanhar algumas ocorrências relacionadas com o acesso ao lar.

Alfredo Riscado denuncia igualmente que a instituição recusou receber medicação prescrita pelo médico.

“Disseram que a minha mãe ia sair do lar e, por isso, já não precisava da medicação.”

A situação culminou, segundo o relato, na passada segunda-feira.

“Pegaram na minha mãe e foram colocá-la à porta da minha casa sem estar lá ninguém. Estamos a falar de uma senhora de 96 anos que não merecia ser tratada assim.”

A Rádio Pax tentou, sem sucesso, contactar a diretora técnica do lar para obter a versão da instituição sobre os factos relatados. A informação transmitida foi a de que a responsável se encontrava reunida. A Rádio Pax continuará a diligenciar no sentido de ouvir os responsáveis da instituição, de forma a garantir o contraditório.

Entretanto, a Rádio Pax apurou que Alfredo Riscado foi convocado, na passada sexta-feira, 16 de julho, para uma reunião na Segurança Social de Beja, com o objetivo de encontrar uma solução para o problema.

O encontro realizou-se pelas 09h30 e contou com a presença de duas técnicas da Segurança Social. Durante a reunião, terá sido apresentada uma proposta de solução. No entanto, o filho da idosa pediu que essa proposta lhe fosse facultada por escrito. Segundo apurou a Rádio Pax, as técnicas recusaram esse pedido, sem apresentarem qualquer justificação.

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Farmácia de serviço hoje na cidade de Beja

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