Beja volta a estar no centro da polémica depois do corte de 60 milhões de euros de fundos comunitários destinados à requalificação da linha ferroviária Casa Branca–Beja.
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, António Ceia da Silva, justificou no Parlamento que a retirada da verba do programa Alentejo 2030 se deveu “única e exclusivamente” à falta de maturidade do projeto. Segundo explicou, com base em informações da Infraestruturas de Portugal, a obra só estaria concluída em 2032, o que colocaria em risco os fundos europeus.
Mas a versão é contestada pela própria Infraestruturas de Portugal. O presidente da empresa, Miguel Cruz, garantiu aos deputados que o primeiro troço, entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia, cumpria os requisitos exigidos e permitiria absorver os 80 milhões inicialmente previstos.
Apesar da retirada de 60 milhões, Ceia da Silva assegura que o projeto vai avançar com novas fontes de financiamento e que o Alentejo “não será prejudicado”. Já a ministra do Ambiente e Energia anunciou, em dezembro, em Beja, que o Governo vai garantir a verba necessária para a modernização e eletrificação da linha.
A polémica está agora nas mãos da comissão parlamentar, que continua a apurar responsabilidades políticas e técnicas nesta decisão que marcou o futuro da ferrovia no distrito de Beja.