Em Beja, a tuberculose continua a ser motivo de preocupação das autoridades de saúde, mesmo com uma redução do número absoluto de casos. Os dados mais recentes indicam que, em 2024, a maioria das infeções no distrito voltou a concentrar-se na população migrante, que representa 58,3% dos casos registados, ainda que ligeiramente abaixo dos 61,8% verificados no ano anterior. Este cenário reflete a realidade de um território marcado pela forte presença de trabalhadores estrangeiros, sobretudo ligados ao setor agrícola, muitos provenientes de países com elevada incidência da doença.
A vulnerabilidade desta população está associada a vários fatores, como condições de vida em contexto comunitário, dificuldades socioeconómicas e maior exposição prévia à doença. Em Beja, as autoridades de saúde mantêm uma vigilância apertada e reforçam a necessidade de rastreio precoce, numa região onde o acesso à informação e aos cuidados de saúde é essencial para travar a propagação da doença. Apesar da descida global de casos, o peso da tuberculose entre migrantes continua a ser dominante no distrito.
A nível nacional, segundo a Direção-Geral da Saúde, foram registados 37 casos de tuberculose em crianças até aos 14 anos em 2024. Destes, 19 ocorreram em crianças até aos 5 anos, um número inferior aos anos anteriores, e 18 entre os 6 e os 14 anos, mantendo-se estável.
Os especialistas alertam que a tuberculose infantil resulta, na maioria dos casos, da transmissão por adultos, sendo as crianças particularmente vulneráveis. Ainda assim, não foram registadas mortes nestas faixas etárias.
As autoridades reforçam que o diagnóstico e tratamento são gratuitos em Portugal e apelam à importância do rastreio e da prevenção, sobretudo junto das populações mais expostas.