Bombeiros de Cuba obrigados a suspender socorro à população

A falta de efectivos, a desmotivação dos voluntários, e principalmente, o “desinteresse” da direcção para resolver os muitos problemas da corporação, levaram o comandante do Bombeiros Voluntários de Cuba (BVC) a suspender quaisquer serviços das 20 horas às 7 horas da manhã.

Esta posição teve início ontem, quinta-feira, vai continuar esta sexta-feira e prolonga-se pelo fim-de-semana.

O comandante, José Galinha, apoiado pelo corpo de bombeiros, tomou esta posição justificando que “o abandono desta direcção para com a associação, ao longo dos anos, fez com que a situação chegasse a este nível de insustentabilidade”.

O descontentamento do corpo de bombeiros fez com que alguns se afastassem.Outros, chegaram mesmo a pedir demissão. A Rádio Pax sabe que alguns bombeiros já integraram outras corporações vizinhas.

José Galinha admite que, neste momento, não existem condições que garantam o socorro às populações. “Com os operacionais que dispomos – muitos foram saindo – e com os poucos voluntários que restam, não é possível fazer uma escala de serviço”, garante o comandante. “Só temos quatro condutores e um deles, sou eu”, acrescenta.

A Rádio Pax sabe que o passivo da associação ronda os quatrocentos mil euros. Este cenário de falência obriga a que muitas das viaturas estejam “encostadas” à espera de peças que só podem ser compradas “com o dinheiro na mão”. Muitos dos bombeiros acabam obrigados a comprar a roupa de trabalho com o seu próprio dinheiro.

“A situação está insustentável e isso deve-se á má gestão daqueles que têm gerido a associação nestes últimos anos”, afirma um dos voluntários que não quis identificar-se justificando que a vila de Cuba “é um meio pequeno e quem manda tem muito poder…”.

A Pax tentou em vão falar com João Português, presidente da direcção dos bombeiros e também presidente da Câmara de Cuba.