Como se isso não bastasse, recebem os esgotos da vizinha no quintal. O casal acusa os proprietários do 1º andar e a Câmara de Serpa de nada fazer para resolver a situação.
É em perigo constante e condições sanitárias deploráveis que Alfredo Carreira e Ana de Lurdes vivem diariamente, há mais de um ano.
Os esgotos da vizinha do 1º andar passam pelo pequeno quintal da casa do casal antes de desaguar na rede pública. “O cheiro é insuportável, não se aguenta, tenho que colocar uma mascara na cara e desinfestar tudo com creolina, todos os dias”, relatou à Rádio Pax, Ana de Lurdes.
Insectos e outros bichos acumulam-se no quintal e dentro de casa atraídos pelos esgotos. A Delegada de Saúde de Serpa já vez uma vistoria à casa e concluiu que a propagação de doenças é elevada. “Disse-nos mesmo que esta situação é um atentado à saúde pública e a nível psicológico é muito desgastante”, relatou Ana de Lurdes.
Alfredo Carreira é diabético. Há cerca de um ano foi vítima de uma Ulcera Varicosa grave. Esteve em risco a amputação da perna esquerda. Devido aos micróbios e bactérias que habitam a casa, as infecções têm sido sucessivas. “O médico já me disse que, para a úlcera cicatrizar, é necessário apanhar ar, só que, cada vez que destapo a ferida, apanho uma infecção”, explica Alfredo.
Outro dos problemas do casal são os bocados de parede e de tecto que caem constantemente devido às infiltrações no andar de cima.
O cheiro a mofo e o perigo constante de estar no quarto ou na pequena sala obrigam o casal passarem os dias na cozinha. “Temos um sofá e uma televisão na cozinha e é aqui que passamos os dias e as noites”, desabafa Ana de Lurdes. A mulher queixa-se que tem o recheio da casa todo destruído. “A última coisa que se estragou foi uma televisão que tínhamos na sala: caiu-lhe um bocado de tecto em cima”, refere desiludida.
Depois de uma vistoria feita à casa do casal, a Câmara de Serpa confirma a “existência de patologias associadas com infiltrações ao nível do tecto da habitação ( ) “. No relatório, a autarquia salienta também que “na direcção (vertical) da zona afetada no piso inferior, se localizam duas instalações sanitárias, podendo eventualmente ser o foco da infiltração para o piso inferior ( ).
Na sequência desta vistoria, no dia 5 de Novembro de 2015, a Câmara notificou os proprietários do 1º andar do edifício situado no Largo do Côrro, nº5, para que, no prazo de três meses, resolvessem as patologias detectadas.
Os donos do andar de cima nunca responderam às muitas solicitações do casal nem da Câmara Municipal de Serpa.
O Centro de Saúde de Serpa, depois de confirmar a situação de insalubridade verificada no prédio e do perigo que acarreta para a saúde “física, psíquica e emocional” do casal, informou a Câmara de que, é da competência desta “ordenar, precedendo vistoria, a demolição total ou parcial ou a beneficiação de construções que ameacem ruína ou constituam perigo para a saúde ou segurança das pessoas”.
O casal desespera com o “desleixo” das entidades competentes para resolver o problema. “Há um ano que ando nisto, vejo a minha casa cair de dia para dia e ninguém faz nada”, afirma desanimado Alfredo Carreira.
A Rádio Pax tentou contactar o vereador do Pelouro do Urbanismo e Ordenamento do Território da Câmara de Serpa mas fomos informados que o autarca se encontra de férias.