As vibrações provocadas pela atividade mineira em Aljustrel continuam a preocupar a população local, que há vários anos denuncia os impactos dos rebentamentos diários nas habitações.
Segundo vários moradores, os abalos fazem tremer portas, janelas e paredes, sendo sentidos várias vezes ao longo do dia. A situação tem vindo a gerar receio crescente quanto à segurança estrutural das casas, com dúvidas sobre possíveis danos acumulados ao longo do tempo.
Há quem relate o aparecimento de fissuras e pequenas degradações nos imóveis, associando esses sinais às explosões na mina. Apesar disso, muitos habitantes dizem não ter respostas claras nem garantias sobre a monitorização destes impactos.
A população pede mais esclarecimentos e medidas concretas, nomeadamente avaliações técnicas independentes que possam confirmar se existe risco real para as habitações e para a segurança das famílias.
Na sequência das preocupações manifestadas pela população de Aljustrel às vibrações provocadas pela atividade mineira, surgem agora novos dados que procuram esclarecer o impacto real destes fenómenos nas habitações.
Segundo avança o jornal “Correio Alentejo”, um relatório recente, realizado por uma entidade independente para a ALMINA – Minas do Alentejo, conclui que as vibrações registadas na vila estão abaixo dos limites legalmente definidos e não indicam danos nas estruturas dos edifícios.
O estudo, elaborado pela empresa Applus+, baseou-se numa campanha de monitorização realizada entre 15 e 19 de dezembro de 2025, com a instalação de seis sismógrafos em diferentes pontos de Aljustrel. Os equipamentos, com leitura contínua, permitiram medir a intensidade das vibrações resultantes dos rebentamentos na mina, de acordo com a norma portuguesa em vigor.
Os resultados indicam que apenas em três locais foram registados valores ligeiramente superiores a 0,5 milímetros por segundo, ainda assim dentro dos parâmetros legais. No global, o relatório conclui que não há evidência de danos provocados pelas vibrações nas habitações analisadas.
Paralelamente, está também em curso uma monitorização das fissuras existentes em alguns edifícios da vila. Para esse efeito, foram instalados 69 fissurómetros em 13 imóveis, com acompanhamento mensal durante pelo menos um ano.
Este processo pretende avaliar a evolução dessas fissuras e perceber se existe, ou não, relação direta com a atividade mineira, garantindo uma análise técnica mais aprofundada.
Apesar das conclusões do estudo, a preocupação mantém-se entre os moradores, que continuam atentos aos efeitos das vibrações no seu dia-a-dia.