Castro Verde está a braços com um problema que se arrasta há mais de um ano e que está a deixar moradores sem condições para viver normalmente. Mau cheiro intenso, verdadeiras “nuvens” de moscas e queixas sobre a circulação de camiões pesados estão no centro de uma polémica relacionada com a deposição de lamas em terrenos agrícolas.
A situação é revelada pelo Correio Alentejo, que dá conta das queixas de habitantes de várias zonas do concelho. Há moradores que dizem já não conseguir abrir as janelas devido ao cheiro e à presença de moscas, considerando que aquilo que começou em 2025 se tornou agora uma situação “intolerável”.
A polémica já chegou à Câmara Municipal. Segundo o jornal, o município apresentou uma exposição à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, alertando para aquilo que considera impactos “negativos e inaceitáveis” provocados pela aplicação de lamas nos terrenos agrícolas.
E os problemas não ficam pelo odor. A autarquia aponta também a circulação frequente de veículos pesados utilizados no transporte das lamas, nomeadamente na Estrada Municipal 535, entre a zona de Casével e a antiga estação ferroviária. O município sustenta que esta utilização está a contribuir para uma rápida degradação daquela e de outras vias municipais.
Perante o agravamento das queixas, as autoridades já avançaram para o terreno. De acordo com informação transmitida pela CCDR Alentejo à Câmara de Castro Verde, foi realizada uma fiscalização conjunta com o SEPNA da GNR de Almodôvar.
Mas este não é um caso novo. Em agosto do ano passado, a União de Freguesias de Castro Verde e Casével já tinha denunciado a situação à CCDR, tendo então sido realizadas ações de fiscalização em duas explorações agrícolas.
Na sequência dessas diligências, a CCDR identificou numa das explorações a utilização dos produtos Biociclo Algarve e Biociclo Beja, matérias fertilizantes inscritas no respetivo registo nacional. A entidade regional admitiu, nessa altura, que poderiam existir questões relacionadas com os requisitos de inscrição e colocação destes produtos no mercado.
O processo acabou por ser participado à ASAE, que foi chamada a averiguar a situação.
Entretanto, o presidente da Câmara de Castro Verde, António José Brito, deixa uma posição clara: o município não aceita que o problema continue a prolongar-se. Enquanto as entidades competentes avaliam a situação, os moradores continuam a reclamar por uma solução para um problema que, segundo os relatos divulgados pelo Correio Alentejo, está a afetar o quotidiano, o ambiente e até as condições de circulação em várias zonas do concelho.