O presidente da Câmara de Serpa, Francisco Picareta, em entrevista à Rádio Pax, admitiu que encontrou na autarquia uma situação muito mais grave do que esperava.
Segundo o edil, há serviços com mais de 2.500 processos parados, alguns com quatro anos à espera de resolução, e outros que acumulam décadas. Um exemplo é um loteamento em Serpa, cujo atraso na resolução poderá custar centenas de milhares de euros ao município. “Temos agora de verificar, analisar e implementar soluções para estas situações”, alertou Picareta, destacando a urgência de colocar a gestão em dia e evitar mais prejuízos futuros.
O presidente revelou ainda que, há cerca de três meses e meio, quando passou a liderar a autarquia serpense, encontrou os recursos humanos completamente desmotivados e instalações municipais em estado crítico. Mais de 15 equipamentos do parque de máquinas estavam avariados, alguns há mais de um ano, sem planos de manutenção ou reparação, tornando difícil a planificação dos serviços. “A primeira coisa que tivemos de fazer foi implementar um plano de recuperação dos equipamentos”, disse, assegurando que nos próximos tempos quase todas as máquinas estarão operacionais.
O estado dos edifícios municipais também é uma preocupação. O cineteatro, escolas e até o próprio edifício da Câmara apresentam infiltrações e problemas de manutenção que exigem intervenção imediata.
Apesar dos desafios encontrados, o presidente da Câmara de Serpa, Francisco Picareta, destacou à Rádio Pax a recepção positiva dos funcionários da autarquia.
“Sentimos uma recepção muito boa da parte dos funcionários da Câmara, uma colaboração tremenda para implementar ideias novas, utilidades novas e procedimentos novos”, afirmou.
As estradas do concelho são outro dos problemas apontados pelo atual executivo à anterior gestão comunista. Quando tomou posse, em novembro do ano passado, o novo executivo encontrou várias estradas municipais suspensas, como a EM 517 (Serpa – Vale de Vargo), a EM 520, a EM 528 (Pias – Moura) e a EM 519 (Vila Nova de São Bento – Posto São Marcos), situação que Francisco Picareta atribui a “desinvestimento e falta de manutenção”.
O presidente da Câmara de Serpa adiantou que o município avançou entretanto com um programa de reabilitação da rede viária e dos caminhos municipais, designado PRECAM, estruturado em duas fases: uma de emergência e outra de investimento plurianual.
A fase de emergência arrancou a 11 de fevereiro, com fresagens e reparações de betuminoso nas vias mais degradadas, assegurando condições mínimas de segurança. O autarca reconhece que, em muitos casos, se trata de soluções provisórias e que algumas degradações poderão reaparecer nos próximos meses.
Numa segunda etapa, estão previstos projetos específicos para cada via, com recurso ao orçamento municipal e a eventuais fundos comunitários, permitindo intervenções mais profundas e duradouras.
As chuvas recentes agravaram o estado das estradas, exigindo respostas rápidas. As equipas já intervieram e vão continuar a trabalhar na Avenida dos Bombeiros, em Serpa, bem como em Vila Nova de São Bento, Ficalho e Brinches, começando pelos arruamentos dentro das localidades e avançando depois para as estradas e caminhos municipais.
Os caminhos escolares mereceram prioridade, depois de algumas zonas terem ficado intransitáveis. A situação está entretanto regularizada, garantindo o transporte seguro dos alunos.
“Sabemos que não vamos resolver tudo num curto espaço de tempo, mas estamos a implementar soluções concretas para que a população possa circular com segurança”, sublinhou Francisco Picareta.
Nesta entrevista exclusiva à Rádio Pax, o presidente da Câmara Municipal de Serpa, abordou ainda a situação da tão desejada extensão de saúde de Vila Nova de São Bento. O autarca revelou que o projeto, que gerou expectativas durante as últimas campanhas eleitorais, enfrenta uma série de atrasos e falta de transparência.
Picareta salientou que, quando a nova equipa da câmara assumiu funções, não existia qualquer projeto aprovado para a extensão de saúde. “A questão crucial é que corremos o risco de perder cerca de 460 mil euros de financiamento do PRR, num investimento total estimado de 700 mil euros”, afirmou. Este financiamento, que é fundamental para a obra, está em risco devido a um atraso na contratação do projeto, que ocorreu um ano e meio depois do que era inicialmente previsto.
A data limite para a conclusão do projeto foi prorrogada até junho, com uma possível extensão de dois meses. Contudo, Picareta explicou que a câmara tem preocupações quanto à execução das obras, uma vez que imponderáveis podem afetar o cronograma. “Se não conseguirmos cumprir os prazos, quem assumirá a responsabilidade financeira?”, questionou o presidente.
A Câmara de Serpa já se encontrou com outros municípios, como Castro Verde, Ourique e Moura, e com a Ministra da Saúde, para discutir estas preocupações. Picareta expressou descontentamento pelo tempo perdido pelos comunistas que estiveram à frente da câmara de Serpa: “Em vez de estarmos a inaugurar a obra, que consistiria numa extensão de cerca de 250 metros quadrados, ainda estamos a debater o seu início”.
A situação levanta questões sobre a gestão anterior, da CDU, com Picareta a pedir esclarecimentos sobre os motivos que causaram este impasse na obra, que, segundo ele, já deveria estar concluída. “Não sei se por questões ideológicas ou pela inoperância dos serviços, mas esta é a realidade que enfrentamos”, concluiu.
Francisco Picareta venceu as últimas autárquicas e quebrou um ciclo de 50 anos de poder do Partido Comunista em Serpa.