O deputado do CHEGA eleito por Beja, António Carneiro, acusa o Governo de colocar em risco o funcionamento dos cuidados de saúde primários no Baixo Alentejo, alertando que 16 médicos poderão deixar de exercer funções nos centros de saúde da região até ao final do ano, situação que, segundo a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), poderá afetar cerca de 30 mil utentes.
Em comunicado, o parlamentar recorda que a falta de médicos na região “não começou agora”, salientando que a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo recorre à contratação de médicos estrangeiros desde 2014, devido à ausência de candidatos para preencher vagas. Refere ainda que o número de utentes sem médico de família passou de cerca de 12 mil no final de 2024 para aproximadamente 19 mil em julho de 2025, mantendo-se acima dos 18 mil durante este ano.
António Carneiro considera que as novas regras para a contratação de médicos prestadores de serviços foram aprovadas sem acautelar a realidade do Baixo Alentejo, defendendo que os profissionais atualmente em funções não devem ser afastados enquanto não existirem médicos para assegurar a continuidade dos cuidados de saúde.
O deputado critica igualmente PS e Governo PSD/CDS, responsabilizando ambos pela dificuldade em fixar médicos na região. Na nota enviada à comunicação social, afirma que “entre acusações de uns e desculpas de outros” são as populações dos concelhos do distrito de Beja que acabam por sofrer as consequências.
O eleito do CHEGA anuncia ainda que irá solicitar esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre quais os centros de saúde e extensões que poderão ser afetados, quantos utentes estarão em risco e quais as soluções previstas para evitar falhas na assistência médica antes do final do ano.
A eventual saída destes profissionais tem motivado preocupação crescente na região, depois de a CIMBAL ter alertado para o impacto que a nova legislação poderá ter no acesso aos cuidados de saúde no Baixo Alentejo.