A espera prolongou-se durante anos. Pelo meio ficaram reivindicações, sucessivas promessas e imagens que marcaram a comunidade escolar: alunos obrigados a recorrer a mantas e cobertores para enfrentar o frio nas salas de aula e infiltrações que se agravavam sempre que a chuva se fazia sentir.
Agora, a Câmara Municipal de Serpa anuncia um passo que poderá mudar definitivamente esta realidade.
Foi aprovada a candidatura destinada a financiar a modernização e requalificação da Escola Secundária de Serpa. O financiamento ascende a 12 milhões de euros e permite ao município avançar para os procedimentos necessários à contratação da empreitada.
Depois da adjudicação, a autarquia prevê que os trabalhos decorram durante cerca de dois anos e meio.
Para o atual executivo municipal, trata-se de uma intervenção prioritária e também da concretização de uma das principais promessas eleitorais do presidente da Câmara, Francisco Picareta.
A importância deste anúncio percebe-se melhor olhando para o passado recente da escola.
Durante anos, o avançado estado de degradação da Secundária de Serpa motivou queixas e sucessivos apelos para uma intervenção profunda nas instalações.
Em janeiro de 2020, a Rádio Pax dava voz a uma situação particularmente preocupante. Quando chovia, a água infiltrava-se nas salas e, durante os períodos mais frios, as baixas temperaturas condicionavam alunos e professores. Mantas, cobertores e outras soluções improvisadas chegaram a fazer parte do quotidiano escolar.
Francisco Oliveira, então diretor do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Serpa, alertava para as consequências destas condições no desempenho dos estudantes e defendia uma intervenção urgente no estabelecimento de ensino.
Os anos foram passando e a requalificação estrutural continuou a ser sucessivamente adiada, num prolongado braço de ferro institucional em que os executivos municipais da CDU remetiam a responsabilidade pela intervenção para o Governo central, enquanto, do outro lado, a tutela apontava responsabilidades à autarquia.
A aprovação agora anunciada pela Câmara abre finalmente caminho para que o processo avance para a fase de contratação da obra.
Mas esta longa espera deixa também uma fatura pesada para os cofres municipais.
O atual executivo sustenta que oportunidades de financiamento disponíveis anteriormente, nomeadamente através do Portugal 2030 e do Plano de Recuperação e Resiliência, não terão sido aproveitadas. Uma situação que, segundo a autarquia, faz com que o município tenha agora de suportar cerca de dois milhões de euros.
A atual gestão municipal assume, assim, uma posição crítica relativamente às decisões tomadas no passado, considerando que a requalificação da Secundária deveria ter sido assumida mais cedo como uma prioridade.
Mas a discussão não se resume às responsabilidades políticas ou aos milhões de euros envolvidos.
Durante todos estes anos, sucessivas gerações de alunos estudaram num estabelecimento com problemas estruturais conhecidos e professores e funcionários trabalharam em instalações que aguardavam uma intervenção profunda.
Para a Câmara, esse é também um dos custos mais pesados dos sucessivos adiamentos: as oportunidades perdidas para proporcionar melhores condições de ensino, aprendizagem e trabalho à comunidade escolar.
Com os 12 milhões de euros de financiamento aprovados, o processo entra agora numa nova fase.
Seguem-se os procedimentos de contratação, a adjudicação da empreitada e, depois, o início dos trabalhos.
Será quando as máquinas entrarem efetivamente no recinto escolar que uma reivindicação com muitos anos começará, finalmente, a materializar-se.
Para alunos, professores, funcionários e famílias, os 12 milhões de euros representam, por isso, muito mais do que um investimento financeiro.
Depois das infiltrações, do frio nas salas, dos cobertores, das reivindicações e das promessas sucessivamente adiadas, a Escola Secundária de Serpa aproxima-se finalmente da profunda transformação que a comunidade escolar reclama há anos.