O distrito de Beja volta a estar em destaque pela ausência de mulheres nos cargos máximos do poder local, numa altura em que, apesar dos avanços na participação política feminina, a liderança continua maioritariamente masculina em Portugal.
O alerta foi deixado por Helena Teodósio, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, durante a mesa-redonda “Mulheres e Participação Política”, realizada em Miranda do Corvo. A responsável sublinhou que, embora a percentagem de mulheres autarcas tenha subido de 1,3% em 1979 para 16% em 2025, distritos como Beja e Leiria não elegeram qualquer mulher presidente de câmara nas últimas autárquicas.
Helena Teodósio destacou ainda que, ao longo das últimas décadas, muitas mulheres desempenharam papéis relevantes como vereadoras ou deputadas municipais, mas a presença nos lugares de topo “continua limitada”, refletindo barreiras sociais e institucionais persistentes.
Também presente no debate, Rosa Monteiro, do Grupo de Ação Local do projeto FEMACT-Cities, defendeu que a mudança tem de começar dentro dos partidos políticos. Segundo a responsável, sem uma transformação nos mecanismos internos de recrutamento e escolha, os projetos e debates não serão suficientes para garantir igualdade real. Rosa Monteiro alertou ainda para uma redução recente da representação feminina, referindo que 2024 registou o menor número de mulheres eleitas para o Parlamento Europeu desde a sua criação.
Os dados nacionais reforçam o problema: em quase uma centena de concelhos do país não houve sequer uma candidata à presidência da câmara. Uma realidade que, segundo as participantes, exige reflexão profunda e ação concreta para que distritos como Beja deixem de ficar para trás na representação feminina nos lugares de decisão.