O distrito de Beja está entre os territórios onde o crescimento da população imigrante já está a pressionar serviços públicos, levando o Observatório das Migrações a pedir mais investimento do Estado e das autarquias para prevenir riscos sociais.
Num relatório divulgado na última quarta-feira, o Observatório defende que os dados migratórios passem a contar na definição das políticas locais, sobretudo na saúde, educação e habitação, alertando para a sobrecarga dos serviços, a precarização do trabalho e o aumento de tensões sociais em concelhos do interior.
Segundo o documento, municípios como Beja, Odemira, Ferreira do Alentejo e Serpa tornaram-se centrais na agricultura intensiva e dependem cada vez mais de mão-de-obra migrante, que deixou de ser complementar e passou a ser estrutural para a economia local.
O Observatório alerta que, sem respostas públicas ajustadas e reforço da capacidade dos municípios, podem agravar-se desigualdades territoriais, problemas de habitação e conflitos sociais, apesar do contributo positivo dos imigrantes para travar o despovoamento e manter serviços em funcionamento.