O Alentejo continua a ser uma das regiões com menor oferta de cuidados continuados de saúde mental em Portugal. Os dados mais recentes da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelam que, no final de 2024, havia 68 utentes em lista de espera a nível nacional para vagas na Rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental, numa realidade que afeta de forma mais acentuada o interior do país.
De acordo com o relatório divulgado pela ERS, a maior parte dos utentes aguardava colocação nas Residências de Apoio Máximo e nas Residências de Apoio Moderado, destinadas a pessoas com doença mental grave, já estabilizadas, mas com dificuldades de autonomia. Apesar de se registar uma ligeira redução no número de utentes em espera nas Residências de Apoio Máximo, o número de lugares contratados nesta tipologia voltou a diminuir face a 2023.
O regulador sublinha ainda as desigualdades territoriais, referindo que a oferta de respostas continua a ser residual no interior, com destaque negativo para o Alentejo e o Algarve. Embora mais de 70% da população do continente viva a menos de 60 minutos de uma Residência de Apoio Máximo, a cobertura cai significativamente noutras respostas, como as Residências de Treino de Autonomia e as Unidades Sócio-Ocupacionais.
O relatório aponta também para uma redução do tempo médio de internamento em várias tipologias, mas alerta para aumentos significativos nas respostas em ambulatório, sobretudo na área da infância e adolescência.
A Entidade Reguladora da Saúde garante que vai continuar a acompanhar este setor, reconhecendo a importância dos cuidados de saúde mental no Serviço Nacional de Saúde e os constrangimentos persistentes no acesso, em especial nas regiões do interior do país.