“Nós tínhamos razão, foi a CCDR que, de forma unilateral, tomou a decisão de retirar 60 milhões ao projeto da eletrificação da linha férrea Casa Branca – Beja, pondo em causa um projeto há décadas reivindicado por toda uma região”, diz Gonçalo Valente.
O deputado do PSD eleito por Beja vem, em nota enviada à Rádio Pax, lembrar que chamou à Assembleia da República todas as partes envolvidas no processo para apurar responsabilidades”.
“O Senhor Presidente da CCDR, António Ceia da Silva, nesta audição, continuou a afirmar que a reprogramação do Programa Regional Alentejo 2030 por via deste objetivo estratégico, se deveu à falta de maturidade do projeto, mas sem quaisquer dados que suportassem essa afirmação. Ficámos pela opinião”, frisa o deputado.
Por outro lado, a Infraestruturas de Portugal, confirmou, segundo o parlamentar, que “não se trata de uma questão de maturidade, mas de uma opção política da CCDR, pois os 80 milhões de euros provenientes da comparticipação da CCDR, neste projeto, podiam ser aplicados no primeiro troço entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia, já que a execução desse troço respeitava os prazos do ciclo de programação (2027, com prorrogação de mais 2 anos, podendo ir até 3 anos)”.
Gonçalo Valente adianta que “para ganhar um ano adicional no prazo de execução dos vários projetos que estão previstos, o Programa Regional Alentejo 2030 precisava de alocar 10% da sua dotação global nas novas prioridades da Comissão Europeia (habitação, água mais resiliente e defesa), e essa verba tinha de vir de algum lado, veio da ferrovia, por mera opção política, não foi por via de uma ordem do governo”.
O parlamentar lembra que o governo já assumiu que irá disponibilizar os 60 milhões em falta para a execução do projeto da eletrificação e modernização da ferrovia até Beja.
Para o deputado do PSD, a CCDR, o Partido Socialista e a CIMBAL “devem um pedido de desculpas” aos baixo alentejanos.