Guerra na Junta de Ferreira do Alentejo: CDU recusa Chega e PS exige novas eleições

A Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo continua mergulhada num impasse político que parece não ter fim à vista. As divergências entre PS e CDU, que marcaram a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, mantêm a freguesia num cenário de incerteza, tensão e governabilidade limitada.

Recorde-se que nas últimas eleições, PS e CDU empataram com quatro eleitos cada, enquanto o Chega conquistou, pela primeira vez, um lugar na Assembleia de Freguesia.

A CDU afirma ter apresentado ao PS uma proposta “equilibrada”, composta pela presidente, eleita pela CDU, por um vogal socialista e outro comunista. Uma solução que iria deixar o PCP com maioria na junta. O PS rejeitou a proposta por excluir o representante do Chega, descrevendo-a como uma “distorção da vontade popular” e “contrária à lógica democrática”.

Os socialistas acusam a CDU de impedir a formação da Junta ao insistir numa solução que não reflete os resultados eleitorais.

Fonte da CDU de Ferreira do Alentejo revelou à Rádio Pax que a penúltima reunião, realizada a 31 de outubro, voltou a terminar sem acordo. Sandra Albino, a presidente eleita pela CDU, leu um parecer da CCDR, segundo o qual, caso não consiga formar executivo, deve convocar elementos do anterior mandato para assegurar os serviços mínimos da Junta.

Seguindo esse parecer, Sandra Albino chamou primeiro Francisco Inverno, do PS. Mas o eleito recusou, lembrando que, nas últimas autárquicas, foi eleito na freguesia de Canhestros, uma informação que era do conhecimento da presidente.

Em seguida, foi convocada Sónia Sesinando, também do PS, ex-elemento do anterior executivo e atualmente em ruptura com o partido rosa. Sónia aceitou, permitindo a criação de um executivo mínimo e improvável: Sandra Albino, da CDU, como presidente, e Sónia Sesinando, eleita pelo PS, como secretária.

Esta solução transitória vai manter-se até que seja possível chegar a um acordo, algo que continua distante, sobretudo porque a CDU recusa integrar no executivo o eleito do Chega.

Sónia Sesinando “não tem legitimidade política nem eleitoral para representar o PS”

Entretanto, a Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Ferreira do Alentejo reuniu na passada semana para analisar os resultados das eleições autárquicas.

O PS voltou a acusar a CDU de bloquear a constituição da Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo, insistindo numa solução de maioria absoluta “que o povo não lhe deu nas urnas”. Os socialistas apelaram à presidente eleita, Sandra Albino, para desbloquear o impasse com as soluções legais que, afirmam, “estão ao seu dispor”.

O PS sublinhou ainda que a Junta está atualmente a funcionar em gestão limitada, apenas com a presidente da CDU e uma vogal transitada do anterior executivo. Esta vogal, afirma o Partido Socialista, “já não tem legitimidade política nem eleitoral para representar o PS”, tendo apenas um papel administrativo. Os socialistas lembram que a mesma se tinha afastado, na prática, do mandato anterior e não representa politicamente a estrutura local.

PS exige novas eleições para resolver bloqueio na Junta de Ferreira do Alentejo

Na última sexta-feira à noite, os eleitos do PCP, PS e Chega voltaram a reunir, mas os comunistas mantiveram a recusa em aceitar o representante do Chega no executivo.

Na sequência dessa reunião o Partido Socialista, em comunicado enviado à nossa redação, afirma que só novas eleições poderão resolver o impasse que se arrasta na constituição do executivo da Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo, responsabilizando diretamente a CDU pelo bloqueio.

Em comunicado, os socialistas rejeitam a narrativa da CDU e explicam que, apesar de ter vencido a freguesia por apenas 30 votos, a coligação tem apenas quatro membros na assembleia de freguesia, que conta com nove eleitos. O PS sublinha que, por lei, à CDU cabe a presidência da junta, já garantida, mas que os restantes dois cargos, secretário e tesoureiro, devem ser eleitos pela assembleia, onde a CDU está em minoria.

Segundo o PS, a presidente eleita, Sandra Albino, insistiu repetidamente numa solução que atribui maioria absoluta à CDU, “ao arrepio do resultado eleitoral”, levando a maioria dos eleitos a rejeitar a proposta. O partido acusa a CDU de impedir o funcionamento democrático da junta e de prejudicar a população, que continua sem executivo constituído.

Perante o impasse e o que considera serem “chantagens políticas” e falta de propostas credíveis, o PS desafia a CDU e o Chega a permitir que os eleitores voltem às urnas. Os socialistas garantem estar preparados para novas eleições e afirmam que “a democracia não se força, respeita-se”.

Entretanto, a junta de Ferreira do Alentejo permanece num impasse político que domina o debate local e gera crescente preocupação entre os fregueses.

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