A Mina de São Domingos, no concelho de Mértola, transforma-se esta quinta-feira, 24 de setembro, num enorme palco onde realidade e ficção se confundem. A estreia de “OLVIDAR” vai buscar às memórias da comunidade, aos silêncios e às marcas deixadas pelo tempo a matéria-prima para uma performance sobre aquilo que desaparece e aquilo que teima em permanecer.
A apresentação está marcada para as 21h00, no Musical, integrada no Festival Art Non Stop, promovido pela Câmara Municipal de Mértola.
Criada por Ana Luena e José Miguel Soares, a obra nasce de um processo desenvolvido pela Malvada em parceria com a Companhia Cepa Torta, no âmbito do projeto Malacate. Mas a população da Mina de São Domingos também participa na construção do espetáculo.
Desde 5 de setembro, os artistas têm estado no território em residência, recolhendo entrevistas, testemunhos, imagens e outros materiais, ao mesmo tempo que realizam ensaios e momentos de criação com a comunidade. O Grupo Coral da Mina de São Domingos integra igualmente a apresentação.
“OLVIDAR” cruza teatro, performance, fotografia, vídeo e música para questionar a forma como construímos a memória e como o esquecimento pode transformar pessoas e lugares.
E a história escolhida para a Mina começa com um mistério: uma aldeia fictícia chamada Aldeia do Cobre, nascida em 1854, desapareceu. Com ela terão desaparecido um caminho de ferro, um túnel, um peixe e até um livro.
A partir desta investigação imaginária, o espetáculo entra numa questão bem real para muitos territórios do interior: o que acontece a uma terra quando perde habitantes, serviços e formas de vida?
A própria rua fará parte do cenário. A representação decorre no exterior, utilizando a fachada e as portas do Musical, e mistura a narrativa ficcional com testemunhos, fotografias, vídeo, música original ao vivo e elementos recolhidos durante a permanência dos artistas na aldeia.
Entre o humor, o absurdo e a melancolia, “OLVIDAR” coloca a Mina de São Domingos frente a frente com as suas memórias e lança uma pergunta incómoda: quando uma terra começa a ficar vazia, o que desaparece primeiro, as pessoas, as histórias ou a própria memória do lugar?