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Misericórdia de Beja apoia idosos que vivem sozinhos

É raro o dia que Veneranda Militão, de 80 anos, não recebe a visita ou o telefonema de Paula Gomes, uma das voluntárias do projecto “Ao encontro de um amigo”, um serviço de apoio domiciliário direccionado aos idosos que vivem sozinhos e com pouca retaguarda familiar, promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Beja (SCMB).

Veneranda Militão utente - Rádio Pax 2024
Veneranda Militão

Veneranda Militão recebeu-nos em casa com o sorriso característico de quem saber receber. Convidou-nos a sentar. Mulher modesta e extrovertida vive sozinha há vários anos. O marido faleceu. O filho mais novo reside em Espanha e raramente contacta a mãe. “Chega a estar mais de um ano sem dar sinal de vida”, desabafa a octogenária, apagando o sorriso com que nos recebeu. O mais velho mora a cerca de vinte quilómetros mas só visita a progenitora quando tem algum interesse. “Vem aqui a casa para me pedir dinheiro. Ele pensa que, por eu estar reformada, tenho a obrigação de lhe entregar a reforma”. Não vamos aqui revelar o valor dessa mensalidade mas, podemos afirmar, o que Veneranda Militão recebe todos os meses mal chega para a alimentação e medicamentos. “A verdade é que os meus filhos não querem saber de mim”, confessa, limpando uma lágrima mais teimosa.

O dia-a-dia desta mulher mudou completamente quando tomou conhecimento do projecto “Ao encontro de um amigo”. A partir do momento em que se inscreveu, a idosa passou a ser acompanhada pela Paula Gomes, uma jovem Assistente Social que dedica parte do seu tempo ao voluntariado.

“Ajudo-a nas compras, faço-lhe companhia, ligo-lhe várias vezes ao dia, tento fazer com que ela não se sinta sozinha”, explicou-nos, entusiasmada, a voluntária.

Paula Gomes voluntária - Rádio Pax 2024
Paula Gomes

Paula faz parte de uma equipa multidisciplinar de voluntários que dedicam “tempo” aos muitos idosos que estão em casa, criando relações de proximidade de forma a promover o bem-estar e combater a solidão.

O projecto “Ao encontro de um amigo” pretende combater a solidão de uma faixa da população “que está a ficar para trás”

ana - Rádio Pax 2024
Ana Rita, uma das coordenadoras do projecto

Para além do acompanhamento dos voluntários, duas Assistentes Sociais da SCMB fazem visitas de coordenação. “Inicialmente uma vez por mês mas passou a duas ou três visitas por mês já que, também nós, sentimos necessidade de estar com estes idosos”, explicou Ana Rita, funcionária da SCMB e uma das coordenadoras do projecto. Esta responsável não tem dúvidas que germinou uma cumplicidade “bastante forte” entre a instituição e os utentes. “Tentamos fazer com que estas pessoas, que já passaram a fazer parte da família Santa Casa, se sintam o melhor possível mas na casa deles”, completou.

Edite Apolinário ou Dona Edite Professora, como é tratada por algumas pessoas, tem 70 anos e está aposentada desde 2002. Nunca casou. Dedicou parte da sua vida aos pais que entretanto faleceram. Hoje, vive sozinha num apartamento mobilado de recordações. Nas paredes, muitas fotografias que mantêm vivo o passado. “Nesta fotografia tinha apenas 25 anos, foi tirada no casino. Era bonita não era”, perguntou, orgulhosa, a ex-professora, “ainda hoje, é”, respondeu a Ana Rita, que nos acompanhou neste encontro.

edite - Rádio Pax 2024
Edite Apolinário, utente

A idosa associou-se ao projecto da Santa Casa depois de ouvir nas notícias “o caso de uma senhora que apareceu morta em casa e ninguém deu por nada”. Ainda contactou a PSP e explicou a situação em que se encontrava. Passou a estar “sinalizada” mas, segundo a utente, passaram vários meses e “da polícia nem sinal.”

Dona Edite Professora passou a ter todas as semanas a visita, a companhia, um telefonema de uma voluntária do projecto “Ao encontro de um amigo”. “A solidão pesa muito, é muito difícil”, confessa. E quando perguntámos se tem família, ela respondeu emocionada, voz trémula e olhos fixos no chão: “é como se não tivesse… não quero falar mais nesse assunto”, finalizou.

João Ramôa provedor SCMBeja - Rádio Pax 2024
João Paulo Ramôa, Provedor da SCMBeja

Na opinião de João Paulo Ramôa, provedor da SCMB, neste momento, o distrito de Beja está a viver duas realidades muito diferentes. “Se por um lado, temos uma população jovem, que tem um enorme futuro e que esta a encontrar, a partir do Alqueva e da água, uma nova realidade a vários níveis, por outro lado, temos uma população mais idosa, que está a ficar esquecida e para trás devido à emigração dos seus descendentes e pela própria sociedade que isola muito as pessoas.”

O projecto “Ao encontro de um amigo” pretende combater a solidão de uma faixa da população “que está a ficar para trás.”

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Farmácia de serviço hoje na cidade de Beja

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