A questão das portagens no interior voltou a aquecer o debate político no Alentejo, com o concelho de Moura no centro da polémica entre o Partido Social Democrata e o Partido Socialista.
Em comunicado, a concelhia do PSD de Moura critica o atual modelo de isenção de portagens, considerando que está a gerar desigualdades e a penalizar os residentes. Os social-democratas falam em “exclusão territorial”, defendendo que, apesar de apresentada como uma vitória, a medida não resolve os problemas de mobilidade, já que o percurso mais direto para Lisboa continua a implicar custos elevados.
O PSD aponta ainda o “silêncio” da estrutura local do PS e desafia o deputado Pedro do Carmo a intervir na Assembleia da República em defesa da população.
A resposta dos socialistas não tardou. A Comissão Política do PS de Moura acusa o PSD de “desinformação” e de uma intervenção “precipitada e oportunista”, garantindo que a posição do partido foi tornada pública e que o problema resulta de uma falha na legislação nacional.
Em causa está a aplicação da Lei n.º 73-A/2025, que, segundo o PS, excluiu injustamente o concelho de Moura do regime de isenções. Os socialistas sublinham que essa situação não resulta de omissão local, mas sim do enquadramento legal em vigor.
O PS lembra ainda que apresentou, na Assembleia da República, um projeto de lei para corrigir a situação, propondo a inclusão de Moura e também de Barrancos no regime de isenção das autoestradas A2 e A6.
No comunicado, os socialistas deixam críticas diretas ao PSD, questionando o sentido de voto dos seus deputados sobre a legislação em causa e desafiando o partido a clarificar a sua posição quanto à proposta de correção agora em discussão.
A polémica em torno das portagens promete continuar, num tema que tem impacto direto na mobilidade e no dia a dia das populações do interior alentejano.